
A ecologia, no Brasil, deixou de ser apenas causa, passou a ser negócio, carreira e instrumento de poder. Os números impressionam. O país já contabiliza 897.054 Organizações da Sociedade Civil (OSCs) em atividade, segundo dados consolidados até 2024. Trata-se de um contingente quase equivalente ao de empresas formais em muitos países desenvolvidos.
A concentração é desigual: a maioria dessas organizações está no Sudeste, longe dos biomas que dizem proteger. Ainda assim, o discurso ambientalista segue centralizado na Amazônia, onde o dinheiro circula em volume bilionário.
De acordo com o IBGE, em 2016 havia 15.919 ONGs atuando na Amazônia. Já o IPEA estima que, reminderando todas as Organizações da Sociedade Civil da Amazônia Legal, o número tenha saltado para mais de 116.500 em 2023.
A estimativa mais conservadora aponta cerca de 77.589 ONGs com atuação social e ambiental na região. Um número tão superlativo quanto desconectado da realidade local, marcada por desmatamento ilegal, crime organizado, garimpo clandestino e ausência crônica do Estado.
Se todas essas entidades estivessem, de fato, protegendo a floresta, fortalecendo comunidades e combatendo crimes ambientais, o número seria motivo de orgulho. Mas a realidade aponta para outro cenário: muitas ONGs se transformaram em meio de vida para seus gestores, algumas em verdadeiras máquinas de captação de recursos, e outras, segundo investigações, até em instrumentos de lavagem de dinheiro.
O discurso é verde, mas a prática frequentemente é cinza.
O caso mais emblemático envolve uma ONG ligada à ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, que recebeu R$ 35 milhões do Fundo Amazônia.
Segundo dados revelados, cerca de 80% do montante foi consumido com viagens, diárias, consultorias e despesas administrativas. Pouco restou para ações diretas na floresta. O dinheiro não virou árvore, fiscalização ou presença do Estado, simplesmente evaporou.
Marina Silva parece ter desenvolvido uma curiosa habilidade mística: tudo o que toca vira pó. Não é metáfora ligada à produção amazônica, é desaparecimento orçamentário. Recursos entram com pompa internacional e saem como relatórios, passagens aéreas e seminários climatizados.
A floresta segue vulnerável, mas o ecossistema burocrático prospera.
O repasse milionário levou à abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), que apura possível conflito de interesses e desvio de finalidade. O foco está na relação institucional entre o ministério e a ONG beneficiada, além da efetividade real do investimento.
Parlamentares questionam: qual foi o impacto ambiental concreto de R$ 35 milhões? Onde estão os resultados mensuráveis?
O episódio reforça críticas antigas sobre a governança ambiental brasileira. O Fundo Amazônia, abastecido por bilhões em doações internacionais, é vendido como modelo global. Mas quando o dinheiro se perde em burocracia e turismo institucional, o discurso perde credibilidade.
Sem transparência, auditoria independente e resultados objetivos, a pauta ambiental corre o risco de virar apenas retórica lucrativa.
O Brasil não sofre por falta de ONGs. Sofre por excesso de intermediários e escassez de resultados. A floresta não precisa de mais relatórios, precisa de presença, fiscalização e soberania.
Quando a ecologia vira negócio, a Amazônia deixa de ser prioridade e passa a ser pretexto.
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