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Três ciclones em rota de colisão: alerta máximo para o Sul e Sudeste do Brasil

Depois da tragédia no Paraná, novos sistemas ciclônicos colocam seis estados sob vigilância. Especialistas alertam: o país segue despreparado para lidar com desastres climáticos cada vez mais frequentes

12/11/2025 às 11h10
Por: Douglas Ferreira
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Três ciclones extratropicais ameaçam seis Estado no Brasil neste mês - Foto: Divulgação
Três ciclones extratropicais ameaçam seis Estado no Brasil neste mês - Foto: Divulgação

O Brasil volta a entrar em estado de atenção. Após o tornado devastador que atingiu o Paraná — classificado como F4 na escala Fujita, com ventos de até 400 km/h — meteorologistas confirmam que três novos ciclones extratropicais devem se formar até o fim de novembro, com potencial de causar estragos nas regiões Sul e Sudeste.

A previsão, divulgada por pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), acende o sinal vermelho para um país que ainda não se recuperou das perdas humanas e materiais da última catástrofe. Segundo o climatologista Francisco Aquino, dois dos três ciclones já têm data estimada para formação: 16 e 19 de novembro, ambos no Atlântico Sul.

Os fenômenos devem impulsionar novas frentes frias e provocar ventos intensos e chuvas volumosas, afetando especialmente os Estados de Espírito Santo, Minas Gerais e São Paulo na primeira leva, e Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul na segunda.


Cenário climático perigoso e recorrente

A primavera, tradicionalmente marcada por contrastes entre o ar quente e úmido do continente e o ar frio vindo do sul, cria as condições ideais para ciclones extratropicais e, em alguns casos, para a formação de tornados.
De acordo com o coordenador do Cemaden, José Antonio Marengo Orsini, “essa é a estação de transição onde os fenômenos extremos tendem a se multiplicar”.

E o meteorologista Marcelo Seluchi complementa: “Tornados são extremamente difíceis de prever, mas o ambiente atmosférico atual é favorável à sua formação”.

Embora os próximos ciclones não devam ter a mesma intensidade do tornado paranaense, a instabilidade segue alta — e a experiência recente mostra que basta um único sistema descontrolado para transformar o mapa do país em um rastro de destruição.

O último tornado devastou uma cidade no interior do Paraná - Foto: Reprodução

Seis Estados sob risco direto

O primeiro ciclone, previsto para 16 de novembro, deve atingir o Sudeste, com impactos em São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo.

O segundo, esperado para 19 de novembro, avança sobre o Sul, atingindo Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná.

O terceiro ainda não tem data exata, mas deve se formar até o fim do mês — e há possibilidade de interação entre sistemas, o que pode ampliar a intensidade das tempestades.


O que fazer diante do risco

As defesas civis estaduais estão em alerta, mas o desafio é enorme: grande parte das cidades brasileiras não possui estrutura de resposta rápida nem protocolos claros de evacuação ou abrigo.

Entre as medidas urgentes recomendadas por especialistas estão:

  • reforçar sistemas de alerta e monitoramento meteorológico;

  • revisar construções vulneráveis, como galpões e escolas antigas;

  • divulgar planos de evacuação para áreas suscetíveis a ventos extremos;

  • treinar equipes locais para atuação imediata em emergências.

A população também precisa participar desse esforço. É essencial acompanhar alertas meteorológicos, evitar deslocamentos durante tempestades e manter um kit básico de emergência — com documentos, lanternas, rádio e medicamentos essenciais.


Um país vulnerável ao clima — e à falta de preparo

O governo federal manifestou solidariedade e apoio ao Paraná após o tornado, mas não há um plano nacional estruturado de prevenção e resposta a tornados e ciclones. As ações ainda são pontuais e reativas, concentradas em socorro pós-desastre — o que evidencia uma falha grave na política de gestão de riscos climáticos.

Enquanto isso, o Brasil assiste ao aumento da frequência e da força dos fenômenos meteorológicos extremos. O custo da omissão é alto: vidas perdidas, cidades destruídas e prejuízos milionários que se repetem a cada novo evento.


Sinal de alerta final

O que vem pela frente não é uma “hipótese climática”, é uma sequência de eventos previstos e monitorados.

A natureza está avisando — e o país precisa escolher entre agir preventivamente ou lamentar novamente.
O Sul e o Sudeste estão sob o olhar da atmosfera, e o tempo — em todos os sentidos — está se esgotando.

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