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Meio Ambiente HIPOCRISIA AMBIENTAL

O show acabou - a máscara caiu e o dinheiro sumiu

Foi só desligarem o palco da COP30 que o orçamento da Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Pará desabou. A lógica foi cristalina: em ano de vitrine internacional, o cofre é generoso; em ano de anonimato, volta a miséria habitual

24/11/2025 às 10h20 Atualizada em 24/11/2025 às 11h14
Por: Douglas Ferreira
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As luzes da COP30 apagaram e a cortina dos cortes de recursos ambientais fecha o espetáculo - Foto: Reprodução
As luzes da COP30 apagaram e a cortina dos cortes de recursos ambientais fecha o espetáculo - Foto: Reprodução

Foi só o último holofote da COP30 se apagar para que a maquiagem ambiental do Pará escorresse, revelando uma verdade inconveniente: o show nunca foi sobre sustentabilidade, mas sobre aparência. Enquanto o mundo aplaudia discursos verdes, o governo estadual preparava silenciosamente a tesoura que agora dilacera o orçamento ambiental. A redução brutal de recursos devolve a secretaria à velha penúria que fez do Estado um campeão em desmatamento. Passada a encenação, resta a realidade, dura, cínica e previsível.

Na música eternizada na voz do Rei da Bossa Nova, Roberto Carlos, “O Show Já Terminou”, há um verso que poderia muito bem ser pendurado na porta da Secretaria de Meio Ambiente do Pará:

“Não precisamos mais usar aquela maquiagem que escondeu de nós uma verdade que insistimos em não ver”.

Salvadas as devidas proporções, o poema musicado serve como luva para ilustrar a hipocrisia ambiental que se instalou no Pará logo após o apagar das luzes da COP30. Quando as delegações internacionais partiram, quando as câmeras foram desligadas e quando os discursos sustentáveis já não rendiam mais likes globais, o governo estadual voltou ao velho e conhecido figurino da penúria orçamentária.

Afinal, no Brasil, a política ambiental costuma ser o maior espetáculo da terra, e também o mais farsesco.

A dura realidade da periferia de Belém do Pará denuncia a falta de investimentos ambientais e não é de hoje - Foto: Reprodução

Quando Belém virou sede da COP30 (2023):

  • A secretaria recebeu R$ 1 bilhão para 2024.

  • Em 2023, eram apenas R$ 207,2 milhões.

A maquiagem precisava ser boa, e foi.

2025: o começo da tesourada

Com os estrangeiros fora do recinto, o orçamento já encolheu 34%.
A pasta passou de R$ 1 bilhão para R$ 674,8 milhões.

Afinal, sem plateia internacional, pra que tanto zelo ambiental?

2026: a volta definitiva à realidade

Se alguém achou que o corte seria pontual, enganou-se. Para 2026, a tesoura foi ainda mais funda:

  • R$ 397,9 milhões,

  • Uma redução de 41% em relação a 2025,

  • E um rombo de 61% quando comparado ao orçamento inflado de 2024.

É a maquiagem escorrendo. É a verdade vindo à tona.

Investimentos? Viraram poeira da floresta

O item mais simbólico, e mais revelador, é a queda brutal nos investimentos:

  • 2025: R$ 328,7 milhões (ano da COP)

  • 2026: apenas R$ 77,1 milhões

Isso representa praticamente o fim das promessas ambientais tão repetidas nos palcos internacionais.

Fim do espetáculo

Quando o show termina, sobram as luzes acesas, as cadeiras vazias e a realidade nua e crua:

- O Pará, campeão histórico de desmatamento, volta ao seu ciclo habitual, pouca estrutura, pouco investimento e muita maquiagem discursiva.

O problema não é apenas local. É o retrato do Brasil farsista, que entrega discursos exuberantes aos estrangeiros enquanto, nos bastidores, desmonta o próprio enredo.

Como cantou Roberto Carlos, e como o Pará parece ter entendido bem demais:

“O show já terminou. Vamos voltar à realidade”.

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