
Bolsonaro está preso desde 22 de novembro, na Polícia Federal, após violar medidas cautelares ao danificar a tornozeleira eletrônica. Desde então, permanecia custodiado em sala de Estado-Maior na Superintendência da PF em Brasília. A ida ao hospital marca a primeira saída do local desde a prisão.
De acordo com laudos médicos e perícia da Polícia Federal, o ex-presidente apresenta hérnia inguinal bilateral, condição caracterizada pelo deslocamento de parte do intestino ou tecido abdominal através de uma área enfraquecida da musculatura da virilha. O quadro provoca dor, desconforto e risco de complicações, sobretudo se houver esforço físico, tosse crônica ou aumento da pressão abdominal, sintomas relatados nos últimos meses.
Exames realizados em agosto não indicavam a doença. Em novembro, foi identificada uma hérnia unilateral e, em dezembro, exames de imagem confirmaram o comprometimento dos dois lados.
Segundo os peritos, trata-se de um procedimento eletivo, mas recomendado em caráter prioritário, diante da piora progressiva do quadro. A cirurgia de hérnia inguinal costuma ter duração média de 1 a 2 horas, podendo variar conforme a técnica utilizada. Os riscos são considerados baixos, quando realizados em ambiente hospitalar adequado, mas incluem infecção, sangramento e dor pós-operatória, comuns a procedimentos desse tipo.
Não há previsão oficial de alta. Em geral, pacientes submetidos a esse tipo de cirurgia permanecem de um a três dias internados, com retorno gradual às atividades em algumas semanas. No caso de Bolsonaro, a liberação médica determinará o momento do retorno imediato à prisão, conforme determinação expressa do STF.
A autorização judicial impôs um forte esquema de segurança, coordenado pela Polícia Federal. O transporte foi feito de forma discreta, com desembarque pelas garagens do hospital. Durante a internação, Bolsonaro ficará sob vigilância permanente, com no mínimo dois agentes federais na porta do quarto e equipes de prontidão dentro e fora da unidade.
Está proibida a entrada de celulares, computadores ou qualquer dispositivo eletrônico no quarto hospitalar, exceto equipamentos médicos. A PF também deverá manter contato prévio e permanente com a direção do hospital para alinhar os protocolos de segurança.
O ministro Alexandre de Moraes autorizou a presença contínua da esposa, Michelle Bolsonaro, como acompanhante. Outras visitas só poderão ocorrer mediante autorização judicial específica.
A decisão do STF é clara. Concluído o procedimento e concedida a alta médica, Bolsonaro deverá retornar imediatamente à custódia da Polícia Federal, na Superintendência de Brasília, para dar continuidade ao cumprimento da pena de 27 anos e 3 meses, imposta no processo relacionado à chamada trama golpista.
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