
O presidente Lula chega à cúpula do Mercosul neste sábado (20) sem o troféu que prometeu entregar. O acordo comercial com a União Europeia, vendido como prioridade da presidência brasileira do bloco, travou mais uma vez. A Itália pediu tempo, a Comissão Europeia adiou tudo para janeiro e a chefe do Executivo europeu nem vem mais ao encontro. Resultado: mais uma rodada de discursos, fotos e frustração. O acordo segue onde sempre esteve, no PowerPoint da diplomacia.
Do lado europeu, o jogo é claro. França, Itália e outros países fazem cara de paisagem enquanto protegem seus agricultores com unhas, dentes e novas salvaguardas. O Parlamento Europeu apertou ainda mais as regras, criando gatilhos para reativar tarifas se produtos do Mercosul ameaçarem preços locais. Livre mercado só no discurso. Na prática, a União Europeia virou especialista em levantar barreiras quando o concorrente é eficiente demais.
Do lado brasileiro, sobra retórica. Lula ameaçou, recuou, voltou atrás e agora pede paciência. Disse que não negociaria mais, depois afirmou que a Itália aprovaria “em uma semana, dez dias ou um mês”. Nada confirmado. Enquanto isso, o tempo da presidência brasileira do Mercosul acaba, a COP-30 não rendeu resultados concretos e o governo insiste em vender protagonismo internacional sem entrega real. Muito carimbo no passaporte, pouco avanço na mesa.
O acordo até teria potencial de reduzir preços, aumentar concorrência e ampliar o acesso a produtos, mas virou peça de marketing político, lá e cá. Na Europa, serve como moeda geopolítica; no Brasil, como vitrine diplomática mirando 2026. Após 26 anos de anúncios, adiamentos e reembalagens, o tratado segue como símbolo do que não funciona: uma União Europeia protecionista quando convém e um governo brasileiro que fala grosso no microfone, mas volta para casa de mãos vazias.
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