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Brasil VIAGEM PERIGOSA

Relações perigosas colocam Lulinha no centro do escândalo do INSS

Documentos da Polícia Federal ligam o filho de Lula a viagens de luxo e a um lobista investigado no maior rombo da história do instituto

18/12/2025 às 05h25
Por: Douglas Ferreira
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Lulinha e as ligações perigosas com o Careca do INSS - Foto: Reprodução
Lulinha e as ligações perigosas com o Careca do INSS - Foto: Reprodução

A situação de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, se agrava a cada nova revelação. Longe de qualquer retórica política da oposição, os fatos que emergem das investigações apontam para relações perigosas com Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, personagem central no esquema que teria provocado um rombo bilionário no Instituto, atingindo milhões de aposentados e pensionistas.

Documentos reunidos pela Polícia Federal comprovam que Lulinha e o lobista viajaram juntos em primeira classe para Lisboa, em novembro do ano passado. O voo JJ–8148, operado pela Latam, partiu de Guarulhos e acomodou ambos em poltronas premium, com todos os luxos reservados à elite do transporte aéreo. Não se trata de boato, mas de registros oficiais de passageiros agora em poder da PF.

A viagem já havia sido citada em depoimento por um ex-funcionário do lobista, e os documentos obtidos corroboram integralmente o relato. Mais grave: segundo o mesmo depoente, não teria sido um episódio isolado. Há menção a custos bancados pelo investigado, além de pagamentos vultosos atribuídos a Lulinha, valores que chegariam a R$ 25 milhões, somados a uma mesada de cerca de R$ 300 mil. Tudo isso segue sob apuração, mas o volume e a natureza das informações elevam o nível de gravidade do caso.

O pano de fundo é o escândalo que envolve o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), onde investigações apontam desvios superiores a R$ 6 bilhões, afetando cerca de 9 milhões de beneficiários, entre aposentados e viúvas. Nesse contexto, a proximidade do filho do presidente com um dos principais alvos do inquérito não é detalhe irrelevante, é o calcanhar de Aquiles do caso.

Chama atenção, ainda, o fato de que a tentativa da CPMI do INSS de obter a lista de passageiros do voo tenha sido barrada por parlamentares da base governista, enquanto a PF conseguiu acesso por vias próprias. O contraste reforça a percepção de que há mais a ser esclarecido do que se tentou admitir inicialmente.

Os fatos, até aqui, não condenam, mas comprometem politicamente. Viagens de luxo, relações estreitas com investigados por desvio de recursos públicos e relatos de pagamentos milionários não combinam com a narrativa de casualidade. O que está em jogo não é apenas a conduta de um empresário ou de um lobista, mas o impacto institucional e moral de um escândalo que se aproxima do núcleo familiar do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

À medida que a investigação avança, o inferno astral de Lulinha deixa de ser político e passa a ser factual. E, como sempre, contra documentos, datas e registros oficiais, não há discurso que resista.

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