
O pagamento de remunerações acima do teto constitucional do serviço público, hoje em torno de R$ 46,4 mil, levou cerca de 40 mil servidores ao grupo do 1% mais rico da população brasileira. A constatação faz parte de um estudo recente que comparou os chamados supersalários no Brasil com a prática adotada em dez outros países, revelando uma distorção de grandes proporções no setor público nacional.
O levantamento aponta que a principal brecha está na classificação de auxílios e benefícios como verbas indenizatórias, que ficam fora do teto e não sofrem incidência de Imposto de Renda. Entre agosto de 2024 e julho de 2025, o Brasil gastou R$ 20 bilhões com pagamentos extrateto, valor 21 vezes superior ao registrado pela Argentina, o segundo país com maior despesa no grupo analisado.
Embora apenas 1,34% dos servidores recebam valores acima do limite constitucional, o impacto recai sobre todo o funcionalismo e reforça o papel do Estado como agente de concentração de renda. A maior parte dos beneficiados está no Judiciário, no Ministério Público e em carreiras jurídicas, setores que concentram os maiores vencimentos e resistem a mudanças nas regras remuneratórias.
Segundo especialistas, o custo real pode ser ainda maior e chegar a R$ 40 bilhões, o equivalente a 40% do déficit fiscal previsto para este ano. Apesar do amplo apoio popular à regulamentação dos supersalários, propostas de reforma avançam lentamente no Congresso. O estudo destaca que experiências internacionais mostram caminhos para conter distorções, mas o fim do problema no Brasil depende de coordenação política, pressão social e enfrentamento de interesses corporativos.
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