
Há um ditado antigo, desses que atravessam gerações sem precisar de revisão acadêmica: peixe morre pela boca. No Brasil, quem parece ter adotado o provérbio como linha ideológica foi a esquerda, em especial o PT e seus satélites orbitais. Falam demais, acusam demais, apontam o dedo demais. E, vez por outra, acabam flagrados fazendo exatamente aquilo que juram combater.
A esquerda brasileira construiu sua mitologia política em cima do quebra-quebra. Pneus queimados, prédios públicos depredados, vidraças estilhaçadas, monumentos pichados, tudo sempre embalado como “ato democrático”, “manifestação popular” ou “grito dos oprimidos”. Ainda assim, bateu palmas quando uma mulher foi condenada a mais de uma década de prisão por escrever com batom numa estátua. Batom. Item de nécessaire, não de arsenal bélico.
Pois bem. Eis que, como num roteiro mal escrito, surge a cena perfeita da hipocrisia: uma manifestante de esquerda é flagrada pichando um monumento histórico em Belo Horizonte, durante um ato contra um projeto de lei que justamente discute penas para vandalismo. Não foi batom. Foi tinta. Daquelas de verdade. Em patrimônio público tombado. O mesmo “crime”. Só que com o selo ideológico correto.
E no que isso vai dar? Em nada. Absolutamente nada. Nenhuma sirene, nenhuma coletiva indignada, nenhum editorial sobre “ataque à democracia”. Porque no Brasil atual, o crime não é o ato, é o autor. A tinta não importa. O objeto não importa. A lei não importa. Importa de que lado você está.
Isso nos leva a uma constatação desconfortável, mas inevitável: o Brasil deixou de ser uma democracia funcional há algum tempo. Onde não há democracia, não há justiça. O que existe é um sistema seletivo de punição, e, muitas vezes, de vingança. Uma justiça que não pesa fatos, pesa crachás ideológicos. Uma balança com o prato esquerdo colado no chão.
E você percebe isso. Claro que percebe. Mas hesita em dizer. Por quê? Medo. Medo da Justiça, o que, por si só, já é a prova definitiva de que algo está muito errado. Justiça que mete medo não é justiça; é instrumento de coerção. É braço político com toga. É tribunal com agenda.
Tudo passa a ser “normalizado”. Tudo vira “defesa da democracia”. Um conceito tão esticado, tão torcido, que já não significa mais nada. Democracia de verdade exige divergência, debate, confronto de ideias. Quando isso desaparece, o nome do regime muda. Pode chamar do que quiser: autoritarismo, ditadura, fascismo, comunismo. A vitrine muda; o método é o mesmo.
Há ainda um alerta antigo, e convenientemente esquecido, que ajuda a amarrar todas essas pontas soltas. Olavo de Carvalho, escritor e filósofo que a esquerda tentou ridicularizar enquanto esteve vivo (e tenta apagar depois de morto), dizia sem rodeios: o socialismo e o comunismo não são apenas ideologias, mas organizações criminosas. Ele apontava diretamente para o Foro de São Paulo, essa confraria que reúne ditaduras latino-americanas, partidos de esquerda “democráticos” só no discurso e até grupos terroristas, como as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC).
Olavo não falava em metáforas; falava em fatos. E deixou uma frase que hoje soa menos como profecia e mais como relatório de realidade: “Ou se prende os comunistas pelos crimes que eles cometeram, ou eles, fortalecidos, irão nos prender pelos crimes que não cometemos”.
Não era exagero, era realismo brutal. Essa visão dialoga perfeitamente com outra máxima esquerdista, desta vez atribuída a Vladimir Lênin, arquiteto do pensamento comunista que ainda hoje ocupa mentes frágeis mundo afora: “Acuse os adversários do que você faz, chame-os do que você é". Eis aí o manual. Vandalizam monumentos? Chamam de “ato político”. Quando o outro lado faz, vira “ataque à democracia”. No fundo, não há contradição, há método. E o método é sempre o mesmo: inverter a culpa, monopolizar a virtude e transformar o poder em instrumento de perseguição.
Mas fique tranquilo: se alguém apontar qualquer semelhança com o Brasil de hoje, será apenas mera coincidência. Afinal, aqui, dizem, tudo é pela democracia. Mesmo quando a estátua é pichada. Mesmo quando a lei só vale para uns. Mesmo quando o peixe, mais uma vez, morre pela boca.
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