
O Brasil encerrou 2024 com a maior carga tributária dos últimos 22 anos. Segundo a Receita Federal, os impostos e contribuições somaram 32,2% do Produto Interno Bruto (PIB), um salto de quase dois pontos percentuais em relação a 2023. Se não houvesse mudança na metodologia de cálculo, o índice passaria de 34%, patamar elevado mesmo para padrões internacionais.
A revisão metodológica retirou do cálculo as contribuições ao FGTS e ao Sistema S. A Receita argumenta que esses recursos não pertencem ao governo e, por isso, não deveriam entrar na conta da carga tributária, em linha com critérios usados pelo FMI e pela OCDE. Para manter a comparação histórica, os números dos anos anteriores foram recalculados, o que reduziu artificialmente toda a série, sem alterar a arrecadação real nem a distribuição de recursos entre União, Estados e municípios.
A alta dos impostos em 2024 foi generalizada. No governo federal, pesaram o aumento de PIS e Cofins, do imposto de renda retido na fonte e de tributos sobre lucro e indústria. Nos Estados, a principal pressão veio do ICMS e do imposto sobre heranças e doações. Já nos municípios, o crescimento foi mais moderado, puxado pelo ISS. Mesmo assim, a tendência é clara: União e municípios ampliam participação na arrecadação, enquanto os Estados perdem espaço.
Hoje, a União concentra mais de 66% de tudo o que se arrecada no país, os Estados ficam com pouco mais de 26% e os municípios, cerca de 7,5%. Embora o nível de carga tributária brasileira se aproxime da média dos países da OCDE, a diferença está na composição: o Brasil cobra pouco sobre renda e patrimônio e muito sobre consumo. Na prática, o sistema continua pesado, desigual e concentrado justamente sobre quem sente o imposto no preço de tudo que compra.
E de onde vem todo esse dinheiro? Pois é, do bolso do povo trabalhador!
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