
Governar apenas aumentando impostos continua sendo a forma mais primitiva, preguiçosa e intelectualmente pobre de administração pública. Não exige planejamento, não demanda competência e dispensa criatividade. Basta estender a mão e retirar do contribuinte aquilo que o próprio Estado se mostra incapaz de produzir com eficiência. É a solução fácil dos governos fracos e a rota previsível dos medíocres: arrecada-se mais para ocultar erros estruturais e sustentar promessas eleitorais reiteradamente descumpridas.
Essas promessas, aliás, seguem um padrão conhecido. A cada ciclo eleitoral, repete-se o mesmo enredo. Menos impostos, mais eficiência, investimentos estruturantes, desenvolvimento econômico e inclusão social. Passado o pleito, o discurso evapora e dá lugar à prática recorrente de transferir ao cidadão o custo da inépcia administrativa. O problema não é a ausência de promessas, mas a completa ausência de compromisso com sua execução.
No Piauí, essa lógica ganhou uma nova e perigosa modalidade de fracasso: o endividamento como política permanente de governo. Contratar empréstimos vultosos sob o argumento de investir em infraestrutura, atrair investimentos e promover desenvolvimento econômico pode ser legítimo, desde que tais recursos sejam efetivamente aplicados em projetos produtivos, com retorno econômico e social mensurável. O que se observa, porém, é outra realidade. Empréstimos passam a ser utilizados para pagar empréstimos anteriores, numa espiral que não produz desenvolvimento, apenas posterga o colapso.
Aqui se revela um erro conceitual grave, quase didático em sua obviedade. Confunde-se capacidade de contrair dívida com capacidade de honrá-la. Qualquer ente público com garantias federais pode acessar crédito; poucos, contudo, conseguem transformá-lo em crescimento real. Endividar-se não é sinal de competência administrativa, mas de responsabilidade futura. Quando o crédito não gera riqueza, apenas cria dependência. E quando o Estado passa a rolar dívidas em vez de reduzi-las, ele já não governa, ele sobrevive.
Essa prática transfere o ônus da irresponsabilidade presente para gerações que sequer participaram da decisão. É uma violação silenciosa do pacto intergeracional: compromete-se o futuro para sustentar a ineficiência do presente. Não se trata mais de política pública, mas de contabilidade defensiva, disfarçada de estratégia de desenvolvimento.
Aumentar impostos e ampliar dívidas tornaram-se, assim, as duas faces da mesma mediocridade administrativa. Em vez de eficiência, cobra-se mais. Em vez de reformas estruturais, toma-se crédito. Em vez de desenvolvimento, constrói-se uma ilusão temporária de solvência. E, mais uma vez, impõe-se a pergunta que a sociedade evita formular: por que aceitamos isso como normal?
Por que o eleitorado tolera a repetição do fracasso travestido de gestão? Por que promessas não cumpridas, impostos crescentes e dívidas explosivas não produzem indignação proporcional? Em que momento nos convenceram de que empurrar problemas para o futuro é governar?
Enquanto aceitarmos que a ineficiência seja financiada por impostos excessivos e dívidas impagáveis, continuaremos presos a um ciclo de governos fracos, Estados dependentes e cidadãos conformados. Equilibrar planilhas não é governar. Governar é produzir resultados, gerar riqueza, ampliar oportunidades e respeitar o futuro.
Cumpre agora exigir um governo que pare de nos cobrar e comece, finalmente, a nos entregar. Governo sério não se mede pelo quanto arrecada ou pelo quanto toma emprestado, mas pelo quanto devolve em desenvolvimento real, dignidade social e horizonte para as próximas gerações.
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