
Eu não lembro de outro episódio recente em que um deputado “baixo clero”, sem toga, sem blindagem institucional e longe do centro do poder, tenha ido tão direto ao ponto. Sanderson, do PL do Rio Grande do Sul, fez o que quase ninguém ousa: pediu à Procuradoria-Geral da República que investigue um possível conflito de interesses envolvendo o ministro Alexandre de Moraes. Só o gesto, por si só, já é político. E explosivo.
O pedido tem base em uma reportagem que revelou um contrato de R$ 129 milhões entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci, mulher de Moraes. Sanderson quer saber se esse contrato foi só papel ou se houve atuação real junto ao Banco Central e outros órgãos reguladores. Em bom português: se o escritório entregou o que prometeu ou se a relação passou da advocacia para algo mais nebuloso.
O deputado vai além. Solicita que a PGR apure se integrantes do escritório, incluindo o filho do ministro, participaram de operações ligadas a créditos fictícios, vantagens indevidas ou blindagem de ativos suspeitos. Também pede investigação sobre eventual influência imprópria em decisões administrativas relacionadas ao banco, que acabou entrando em liquidação. Tudo isso registrado em ofício formal, preto no branco, sem rodeios.
No Brasil de hoje, isso não é pouca coisa. Alexandre de Moraes concentra poder como poucos na história recente da República. Enfrentá-lo, mesmo nos limites da lei, exige mais do que discurso: exige audácia. Sanderson não condenou ninguém, não fez sentença, mas fez a pergunta que muitos evitam. E, no ambiente atual, perguntar já é um ato de coragem.
ELEIÇÕES 2026 Direita sinaliza união para enfrentar Lula nas eleições de 2026
ALERTA Cortes de Lula aumentam risco de falhas na aviação e acendem alerta para segurança dos voos
VAI PIORAR TUDO! Trabalhar menos pode custar mais: entenda o perigo escondido na PEC que acaba com a escala 6x1
Mín. 23° Máx. 32°