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Saúde DESCOBERTA

Cérebro passa por uma ‘adolescência prolongada’ até os 32 anos, aponta estudo

Pesquisa mapeia as grandes fases de reorganização do cérebro humano dos 0 aos 90 anos

13/12/2025 às 08h48 Atualizada em 13/12/2025 às 11h19
Por: Wagner Albuquerque
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Foto: Reprodução
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Um amplo estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Cambridge mostra que o cérebro humano não muda de forma contínua e linear. Ele passa por grandes “viradas” estruturais, em média, aos 9, 32, 66 e 83 anos. Essas transições ajudam a explicar por que certas habilidades surgem ou se transformam ao longo da vida e por que alguns problemas cognitivos ou de saúde tendem a aparecer em fases específicas.

Na infância, até cerca dos 9 anos, o cérebro vive um período intenso de construção e reorganização. Conexões são criadas em grande volume e, ao mesmo tempo, as menos usadas são descartadas. É quando se desenvolvem linguagem, memória e coordenação. Dos 9 aos 32 anos, o cérebro entra numa espécie de “adolescência estrutural prolongada”, com alta capacidade de adaptação. As redes ficam mais integradas e eficientes, acompanhando mudanças cognitivas, emocionais e comportamentais. Segundo os autores, a virada dos 32 marca o fim dessa fase mais instável e o início de um funcionamento mais previsível.

Entre os 32 e os 66 anos, o cérebro tende a manter uma organização mais estável. As conexões entre regiões distantes funcionam bem, e as mudanças estruturais são menores. Isso bate com outros estudos que mostram estabilidade em inteligência, personalidade e comportamento na vida adulta. A partir dos 66 anos, começa um novo processo: o envelhecimento estrutural. A integração entre regiões diminui lentamente, e o cérebro passa a depender mais de circuitos locais. Após os 83 anos, algumas rotas longas de comunicação perdem força, enquanto regiões específicas ganham papel central, o que ajuda a entender por que algumas funções ficam mais lentas e outras se preservam.

Os pesquisadores analisaram exames de imagem cerebral de quase 4 mil pessoas, de recém-nascidos a idosos de 90 anos, reunindo dados de dez grandes projetos internacionais. Eles destacam que os resultados não servem para diagnóstico individual, mas oferecem um “mapa geral” das fases em que o cérebro é mais plástico ou mais estável. Na prática, o estudo reforça uma ideia simples: o cérebro muda a vida inteira — e entender essas janelas ajuda a compreender desde dificuldades de aprendizagem na infância até os riscos de declínio cognitivo na velhice.

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