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Saúde SAÚDE

Implante com microchip e óculos inteligentes devolve parte da visão a pacientes

Estudo internacional mostra melhora na leitura em 81% dos voluntários após um ano de acompanhamento

12/12/2025 às 10h25 Atualizada em 13/12/2025 às 08h55
Por: Wagner Albuquerque
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Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

Um estudo internacional revelou que a combinação de um microchip implantado sob a retina com óculos inteligentes conectados foi capaz de devolver parte da visão a pessoas com degeneração macular relacionada à idade (DMRI) em estágio avançado. Publicada no The New England Journal of Medicine, a pesquisa acompanhou pacientes por 12 meses e apontou melhora na capacidade de leitura em 81% dos voluntários que completaram o período de avaliação.

A tecnologia funciona por meio de um implante fotovoltaico posicionado sob a retina, que recebe estímulos de luz infravermelha emitidos por uma câmera acoplada aos óculos inteligentes. As imagens captadas são transformadas em sinais elétricos, que passam a ser interpretados pelo cérebro, substituindo parcialmente a função das células danificadas pela doença. Segundo especialistas, o sistema permite que o organismo volte a decodificar estímulos luminosos sem depender diretamente da retina comprometida.

Dos 32 pacientes que concluíram o estudo, 27 apresentaram avanço nos testes de leitura, conseguindo identificar de cinco a 12 linhas menores em comparação ao período anterior ao implante. O chip, com apenas 2 milímetros, não utiliza fios nem baterias e não interfere na visão periférica ainda preservada. Apesar disso, a cirurgia é considerada complexa e foram registrados eventos adversos, principalmente aumento da pressão ocular e pequenas hemorragias nas primeiras semanas, sem casos de perda total da visão.

A DMRI é hoje a principal causa de cegueira irreversível no mundo e afeta principalmente a visão central, essencial para atividades como leitura e reconhecimento de rostos. Na forma seca da doença, ainda não há tratamentos eficazes, e na forma úmida os medicamentos apenas retardam a progressão. Embora o implante ainda não esteja disponível ao público, os pesquisadores avaliam que a tecnologia representa um avanço relevante, com novos testes previstos para ampliar a nitidez da visão e o número de pacientes beneficiados.

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