
O governo Lula decidiu assumir de vez a defesa do fim da escala 6x1 e passou a apoiar oficialmente o projeto que estabelece jornada de trabalho 5x2, com limite de 40 horas semanais e sem redução salarial. A proposta virou uma das principais bandeiras do PT e já foi destaque em campanhas partidárias e até em pronunciamento do presidente da República.
A articulação dentro do governo é liderada pelo ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, em conjunto com a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann. O Planalto apoia o substitutivo apresentado pelo deputado Leo Prates (PDT-BA), que fixa a redução gradual da jornada de trabalho: de 44 para 42 horas em 2027 e, em 2028, para 40 horas semanais, com dois dias de descanso remunerado.
O texto prevê que a jornada diária não ultrapasse oito horas, mas permite escalas alternativas, como quatro dias de trabalho por três de folga, mediante acordo coletivo. No comércio, setor onde a escala 6x1 é mais comum, haverá possibilidade de ampliação da jornada diária, respeitando o limite de até duas horas extras. Em todos os casos, a proposta proíbe redução de salário.
Apesar do apoio do governo, o projeto enfrenta forte resistência no Congresso e entre entidades empresariais. Confederações do comércio, da indústria e do agronegócio defendem que a negociação da jornada continue sendo feita por acordos coletivos. O presidente da Câmara, Hugo Motta, também já manifestou cautela, afirmando que o tema pode ser debatido, mas exige análise cuidadosa dos impactos econômicos. A discussão ainda deve se estender, e a votação na Comissão de Trabalho pode ficar apenas para 2026.
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