Segunda, 13 de Julho de 2026
22°

Parcialmente nublado

Teresina, PI

Brasil OMISSÃO ESTATAL

Brasil, o país que mais mata pessoas trans no mundo

O governo fala em diversidade, mas o país continua líder mundial em assassinatos de pessoas trans, um massacre contínuo que ninguém no poder enfrenta

08/12/2025 às 15h18
Por: Douglas Ferreira
Compartilhe:
O governo preferido dos movimentos LGBTQIA+ sofre justo com o aumento de morte de seus pares - Foto: Reprodução
O governo preferido dos movimentos LGBTQIA+ sofre justo com o aumento de morte de seus pares - Foto: Reprodução

O governo Lula 3 segue em completo silêncio diante da tragédia humana que devasta a população LGBTQIA+, especialmente pessoas trans e travestis. Um silêncio que grita, um silêncio que condena, um silêncio que fere. E, mesmo assim, setores da esquerda continuam aceitando, com uma docilidade quase ritual, a explicação que nunca foi dada. O fenômeno é inquietante, quando se trata de defender o próprio campo político, muitos simplesmente desligam o senso crítico, esticando a elasticidade moral até onde a coerência não alcança mais.

É como se parte da militância houvesse adotado uma disciplina emocional em que não ver, não ouvir e não questionar se tornaram virtudes políticas. A lógica se esfarela, mas o discurso permanece. E, para muitos, tudo é justificável quando a sigla é “progressista”. Entendeu? Pois é. Nem você, nem eu. E, honestamente, nem eles. Mas não se sinta culpado. O problema não está em quem tenta entender, mas em quem, em nome de uma ideologia que fala em diversidade, se recusa a assumir a escalada de violência contra essa mesma diversidade.

Afinal, como explicar que justamente no governo que se apresenta como defensor das minorias o país continue sendo o local mais perigoso do mundo para pessoas trans? Como aceitar que, ano após ano, o Brasil permaneça como um campo de caça, um alvo fixo, uma roleta russa diária para quem ousa existir fora da heteronormatividade compulsória?

Os números não apenas assustam, como constrangem. Segundo a ANTRA e o Grupo Gay da Bahia, o Brasil registrou 257 mortes violentas de pessoas LGBTQIA+ em 2023, primeiro ano do terceiro mandato de Lula. Foram 127 travestis e pessoas trans assassinadas, 118 homens gays, 9 mulheres lésbicas e 3 pessoas bissexuais. Um salto em relação ao ano anterior. E esse não é um ponto fora da curva, é a curva inteira.

O país lidera há 17 anos consecutivos o ranking global de assassinatos de pessoas trans. Um recorde que nenhum governo conseguiu, ou quis, enfrentar com coragem.

E aqui está outra ferida exposta,
Quando a violência cresce sob governos classificados como conservadores, a esquerda reage com gritos, marchas, teses e manchetes. Quando cresce sob governos de esquerda, impera o silêncio protocolar, as notas mornas, a militância cauterizada. A verdade é que a violência não escolhe partido, mas muitos escolhem quando querem reconhecê-la.

Em 2022 foram 131 assassinatos de pessoas trans,
Em 2023, já sob Lula, o número saltou para 145,
Uma alta de 10,7%.

Em 2024, caiu para 122 mortes, mas o Brasil permaneceu no topo mundial, com quase 300 mortes violentas por LGBTfobia somando homicídios, latrocínios e suicídios.

E 2025 já começou com novos casos. Muitos.

O governo lançou o Plano Nacional LGBTQIA+ em 2023, é verdade. Mas, enquanto o planejamento avança lentamente, a morte corre rápido. Muito rápido. Tão rápido que ultrapassa qualquer discurso oficial de “defesa da diversidade”.

Enquanto isso, as perguntas se acumulam e nenhuma é respondida:

Por que o Estado brasileiro não consegue, ou não quer, enfrentar a violência contra pessoas trans?
Por que políticas públicas anunciadas não se transformam em ações efetivas?
Por que a militância progressista cobra tudo de todos, mas se cala quando é preciso cobrar de si mesma?

A tragédia está aí,
Os corpos também,
O que falta é coragem.

Coragem política para admitir o fracasso,
Coragem institucional para agir,
Coragem moral para cobrar quem está no poder, e não apenas quem já saiu dele.

Enquanto isso não acontecer, o Brasil continuará sendo o país onde a diversidade morre antes mesmo de florescer.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários