
O governo Lula 3 segue em completo silêncio diante da tragédia humana que devasta a população LGBTQIA+, especialmente pessoas trans e travestis. Um silêncio que grita, um silêncio que condena, um silêncio que fere. E, mesmo assim, setores da esquerda continuam aceitando, com uma docilidade quase ritual, a explicação que nunca foi dada. O fenômeno é inquietante, quando se trata de defender o próprio campo político, muitos simplesmente desligam o senso crítico, esticando a elasticidade moral até onde a coerência não alcança mais.
É como se parte da militância houvesse adotado uma disciplina emocional em que não ver, não ouvir e não questionar se tornaram virtudes políticas. A lógica se esfarela, mas o discurso permanece. E, para muitos, tudo é justificável quando a sigla é “progressista”. Entendeu? Pois é. Nem você, nem eu. E, honestamente, nem eles. Mas não se sinta culpado. O problema não está em quem tenta entender, mas em quem, em nome de uma ideologia que fala em diversidade, se recusa a assumir a escalada de violência contra essa mesma diversidade.
Afinal, como explicar que justamente no governo que se apresenta como defensor das minorias o país continue sendo o local mais perigoso do mundo para pessoas trans? Como aceitar que, ano após ano, o Brasil permaneça como um campo de caça, um alvo fixo, uma roleta russa diária para quem ousa existir fora da heteronormatividade compulsória?
Os números não apenas assustam, como constrangem. Segundo a ANTRA e o Grupo Gay da Bahia, o Brasil registrou 257 mortes violentas de pessoas LGBTQIA+ em 2023, primeiro ano do terceiro mandato de Lula. Foram 127 travestis e pessoas trans assassinadas, 118 homens gays, 9 mulheres lésbicas e 3 pessoas bissexuais. Um salto em relação ao ano anterior. E esse não é um ponto fora da curva, é a curva inteira.
O país lidera há 17 anos consecutivos o ranking global de assassinatos de pessoas trans. Um recorde que nenhum governo conseguiu, ou quis, enfrentar com coragem.
E aqui está outra ferida exposta,
Quando a violência cresce sob governos classificados como conservadores, a esquerda reage com gritos, marchas, teses e manchetes. Quando cresce sob governos de esquerda, impera o silêncio protocolar, as notas mornas, a militância cauterizada. A verdade é que a violência não escolhe partido, mas muitos escolhem quando querem reconhecê-la.
Em 2022 foram 131 assassinatos de pessoas trans,
Em 2023, já sob Lula, o número saltou para 145,
Uma alta de 10,7%.
Em 2024, caiu para 122 mortes, mas o Brasil permaneceu no topo mundial, com quase 300 mortes violentas por LGBTfobia somando homicídios, latrocínios e suicídios.
E 2025 já começou com novos casos. Muitos.
O governo lançou o Plano Nacional LGBTQIA+ em 2023, é verdade. Mas, enquanto o planejamento avança lentamente, a morte corre rápido. Muito rápido. Tão rápido que ultrapassa qualquer discurso oficial de “defesa da diversidade”.
Enquanto isso, as perguntas se acumulam e nenhuma é respondida:
Por que o Estado brasileiro não consegue, ou não quer, enfrentar a violência contra pessoas trans?
Por que políticas públicas anunciadas não se transformam em ações efetivas?
Por que a militância progressista cobra tudo de todos, mas se cala quando é preciso cobrar de si mesma?
A tragédia está aí,
Os corpos também,
O que falta é coragem.
Coragem política para admitir o fracasso,
Coragem institucional para agir,
Coragem moral para cobrar quem está no poder, e não apenas quem já saiu dele.
Enquanto isso não acontecer, o Brasil continuará sendo o país onde a diversidade morre antes mesmo de florescer.
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