
O risco ainda é considerado baixo, mas preocupa cientistas e autoridades de saúde. Especialistas alertam que, caso o vírus da gripe aviária (H5N1) sofra mutações que permitam a transmissão entre humanos, o mundo pode enfrentar uma pandemia ainda mais grave que a da Covid-19. O alerta foi feito por Marie-Anne Rameix-Welti, do Instituto Pasteur, destacando que a população não possui imunidade prévia contra esse tipo de influenza.
Diferente da gripe comum, o H5N1 pode causar quadros graves e até matar pessoas jovens e saudáveis, não apenas idosos ou pacientes com doenças pré-existentes. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde Animal, quase metade dos casos humanos confirmados terminou em morte. Desde os primeiros registros, em 1997, já foram contabilizados quase mil infectados, com uma taxa de letalidade próxima de 48%.
O vírus também já provoca impactos econômicos expressivos. Em duas décadas, mais de 633 milhões de aves morreram ou foram abatidas em razão da gripe aviária. No Brasil, a confirmação de um foco em maio levou 42 países a suspenderem temporariamente importações de frango. Nos Estados Unidos, surtos recentes resultaram no abate de milhões de aves, prejuízos bilionários ao agro e alta nos preços dos alimentos.
Outro fator que aumenta o alerta é o avanço da doença entre mamíferos. Só nos Estados Unidos, foram mais de mil casos confirmados em bovinos desde 2024, além de centenas em outras espécies. Diante desse cenário, países europeus já discutem planos de contingência, incluindo reforço hospitalar e medidas preventivas, caso o H5N1 passe a circular entre humanos. Autoridades reforçam que o risco atual é baixo, mas admitem que a ameaça é real e exige vigilância constante.
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