
O governo federal decidiu colocar as ferrovias no centro da estratégia de transporte do país. A nova Política Nacional de Outorgas Ferroviárias, lançada pelo Ministério dos Transportes, cria regras mais modernas de planejamento, sustentabilidade e financiamento, abrindo caminho para a entrada pesada de capital público e privado. A ideia é clara: tornar o transporte mais barato, eficiente e menos dependente das rodovias.
Para 2026, o plano prevê oito leilões ferroviários e mais de 9 mil quilômetros de novos trilhos ou trechos modernizados. A estimativa é que os contratos movimentem até R$ 600 bilhões ao longo dos anos. Segundo o ministro Renan Filho, o novo modelo combina experiência do setor rodoviário com as particularidades das ferrovias, oferecendo mais segurança jurídica e previsibilidade aos investidores.
Entre os projetos prioritários estão corredores estratégicos que prometem destravar gargalos históricos da logística nacional.
A Ferrogrão, ligando Sinop (MT) a Itaituba (PA), é o maior exemplo e pode gerar mais de 100 mil empregos durante as obras. Também estão no pacote o Anel Ferroviário do Sudeste (EF-118), o Corredor Leste-Oeste, a Malha Oeste e a recuperação de trechos da Malha Sul.
Além de reduzir o custo do frete e aumentar a competitividade da indústria, o avanço das ferrovias tem impacto ambiental positivo, com menos caminhões nas estradas. Para o setor, a política consolida o trem como política de Estado. Ao mesmo tempo, o governo mantém o ritmo nas rodovias: foram 21 leilões em menos de três anos, somando R$ 232 bilhões. Com trilhos e estradas andando juntos, o Brasil tenta redesenhar sua logística e preparar o terreno para uma década de obras, empregos e ganhos de produtividade.
BRASIL Brasil - A engrenagem da escassez: como o poder se alimenta da miséria
NEM TODOS ESTÃO? Cuidando do que importa?
SELEÇÃO Seleção do IBGE segue com inscrições abertas até 9 de julho no Piauí Mín. 20° Máx. 38°