
A notícia da fuga de Edmundo González Urrutia da Venezuela é, para mim, mais um triste retrato de como regimes autoritários, como o de Nicolás Maduro, continuam a calar vozes dissidentes. Enquanto eu escrevo, González já está na Espanha, onde pediu asilo após enfrentar ameaças de prisão e a perseguição de um regime que se mantém à custa da repressão. O que mais me incomoda nessa história é a total falta de senso de boa parte da esquerda brasileira, que, vergonhosamente, ainda apoia Maduro e ditaduras semelhantes ao redor do mundo.
González, que concorreu nas eleições de 28 de julho contra Maduro, buscou refúgio na embaixada espanhola em Caracas. Agora, sua única opção foi abandonar seu país, deixando para trás um cenário de violência e repressão que tomou conta da Venezuela desde as eleições. Para a esquerda que diz defender a democracia e os direitos humanos, é inacreditável que ainda haja apoio a um regime que reprime brutalmente manifestantes, fere centenas de pessoas e prende milhares, incluindo menores de idade. Onde está a coerência?
A oposição venezuelana já havia denunciado a fraude nas eleições, e González, que teve 60% dos votos segundo documentos extraoficiais, foi acusado de conspiração apenas por tornar públicas essas informações. É revoltante que o governo de Maduro não tenha apresentado provas concretas de sua vitória, mas ainda assim, tem o apoio de setores da esquerda internacional que fecham os olhos para as atrocidades cometidas contra o povo venezuelano. Parece que, para eles, a ideologia está acima da justiça.
Outro ponto que me choca é o ataque à embaixada argentina em Caracas, sob o comando de Javier Milei, e o cerco imposto pelo regime de Maduro. Com a expulsão da missão diplomática e a tentativa de revogar a custódia dada ao Brasil, fica claro o quão longe Maduro está disposto a ir para silenciar qualquer apoio à oposição.
Como sociedade, não podemos tolerar que esses regimes continuem a ganhar espaço sob o manto da falsa solidariedade ideológica. O Brasil, enquanto nação que lutou pela democracia, não pode apoiar um regime que persegue seus opositores e promove a violência contra seu próprio povo. O apoio a ditaduras como a de Maduro deve ser rechaçado em nome dos valores democráticos e dos direitos humanos que, como brasileiros, devemos defender sempre.
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