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Brasil PAÍS DA CORRUPÇÃO

MP desmascara esquema que desviou doações dos EUA para vítimas da enchente no RS

Operação Ascaris mira grupo que vendia roupas destinadas a desabrigados e movimentou mais de R$ 2 milhões em plena calamidade

05/12/2025 às 08h13 Atualizada em 06/12/2025 às 09h49
Por: Wagner Albuquerque
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Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

O Ministério Público do Rio Grande do Sul desencadeou, nesta quinta-feira, a Operação Ascaris para investigar um esquema de desvio de doações enviadas dos Estados Unidos e de empresas da Serra gaúcha para vítimas das enchentes de 2024. As equipes do GAECO cumpriram oito mandados de busca em Caxias do Sul, São Marcos e Boa Vista do Sul, além de bloquear mais de R$ 2 milhões em contas ligadas aos suspeitos. Roupas e utensílios que deveriam ter chegado a famílias desabrigadas foram parar em brechós da região.

Segundo a investigação, uma ONG recebeu as doações, mas parte delas foi desviada e revendida, indicando enriquecimento ilícito. O grupo usava “laranjas”, recebia pagamentos via Pix em nomes de terceiros e aplicava o dinheiro em veículos, imóveis e outros bens. Entre os oito investigados, três pertencem à mesma família, e uma empresa também é alvo do MP. O trabalho é conduzido pelo promotor Manoel Figueiredo Antunes, com apoio do Núcleo de Inteligência do órgão e da Brigada Militar.

A apuração começou após um alerta do Consulado-Geral do Brasil em Miami, que identificou roupas importadas sendo vendidas irregularmente no Rio Grande do Sul. A denúncia levou à coleta de documentos, celulares e mídias que agora devem ajudar a esclarecer a extensão do esquema. O objetivo é identificar o volume exato do dinheiro movimentado e possíveis outros envolvidos, além de apurar se houve desvio de doações em situações anteriores.

Para o Ministério Público, os crimes, apropriação indébita, lavagem de dinheiro e organização criminosa, são ainda mais graves por terem ocorrido durante uma calamidade pública. “Os investigados se aproveitaram da dor das pessoas para obter vantagem patrimonial”, afirmou o promotor Antunes. Segundo ele, enquanto vendiam as peças doadas, alguns dos suspeitos ainda apareciam nas redes sociais como se fossem voluntários engajados em ações de solidariedade.

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Ferreira FilhoHá 7 meses TeresinaBom vindas, doações, isso aqui é Brasil!
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