
A COP30, realizada em novembro em Belém, terminou com um misto de frustração e cautela. O secretário-geral da ONU, António Guterres, classificou o resultado como “decepcionante”, mas ressaltou que o fato de um acordo ter sido fechado, mesmo sem os Estados Unidos e sob forte pressão da indústria de combustíveis fósseis, mostra que o multilateralismo ainda resiste. Para ele, o encontro reuniu esforços importantes, mas ficou longe do necessário para enfrentar a crise climática.
A conferência mobilizou quase 200 delegações e discutiu 145 temas, sendo 20 considerados centrais pela presidência brasileira. O embaixador André Corrêa do Lago, responsável pelo relatório final, afirmou ter encontrado “alto grau de convergência” entre os países em vários pontos da agenda. Mesmo assim, reconheceu que assuntos decisivos continuam sem consenso e exigem novas rodadas de negociação.
Entre os principais entraves estão o financiamento climático, as regras do programa de trabalho com metas mais claras para redução de emissões e a reforma da estrutura financeira global, vista como essencial para viabilizar ações de adaptação e mitigação. Esses pontos travaram acordos mais ambiciosos e expuseram o choque de interesses entre países ricos, emergentes e nações vulneráveis.
Apesar das dificuldades, a COP30 reforçou o protagonismo do Brasil no debate internacional sobre clima e deixou evidente a urgência de encontrar caminhos mais firmes antes da próxima reunião. O desafio agora é transformar convergências parciais em compromissos concretos — algo que, segundo Guterres, o mundo já não pode adiar.
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