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Brasil MÉDICO DOS JARDINS

Jatinho, Ferrari e falso fármaco: a quadrilha por trás do “Mounjaro pirata” que mobilizou a PF

O que se sabe sobre os envolvidos, o médico influenciador, o esquema milionário e como funcionava o negócio clandestino que surfava no boom dos remédios para emagrecer

01/12/2025 às 20h07 Atualizada em 01/12/2025 às 20h23
Por: Douglas Ferreira
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Jato apreendido na operação - Foto: Reprodução
Jato apreendido na operação - Foto: Reprodução

A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira a Operação Slim, que atingiu em cheio uma quadrilha especializada na produção, manipulação e venda clandestina de tirzepatida, o princípio ativo do Mounjaro, remédio de alto impacto no mercado de emagrecimento. A estrutura do grupo chamou atenção: Ferrari vermelha, Land Rover Defender, BMW, relógios de luxo e até um jatinho PS-HLK operado por uma farmacêutica entraram na lista de bens apreendidos. É o tipo de ostentação que raramente aparece em crimes dessa natureza, mas que indica o tamanho do mercado clandestino criado por medicamentos da moda.

Quem é a quadrilha?

A PF ainda não divulgou a identidade completa de todos os investigados, mas descreve o grupo como um consórcio criminal envolvendo empresários do setor farmacêutico, médicos, distribuidores clandestinos e responsáveis por laboratórios irregulares. A aeronave apreendida é operada pela LCA Farmacêutica, empresa ligada a investigações sobre produção e fracionamento ilegal de substâncias controladas.

Foram cumpridos 24 mandados em quatro Estados. A lista inclui profissionais da área da saúde, donos de clínicas, operadores logísticos, intermediários financeiros e responsáveis pela compra de máquinas usadas na fabricação clandestina. Parte da quadrilha coordenava a produção; outra parte cuidava da distribuição; e uma terceira, do marketing e da venda por meios digitais.

Modo de operação: como funcionava o “Mounjaro pirata”

Segundo a PF, o grupo atuava em três frentes:

  1. Produção clandestina de tirzepatida em locais não autorizados, sem controle sanitário e sem origem comprovada da matéria-prima.

  2. Fracionamento e envase da substância em frascos e canetas supostamente equivalentes ao Mounjaro original, vendidos com aparência profissional.

  3. Distribuição e venda, muitas vezes por meio de clínicas de estética, consultas privadas, influenciadores e grupos de WhatsApp.

A PF identificou movimentações financeiras milionárias, incompatíveis com a renda declarada dos investigados, o que levou à apreensão de veículos e do jatinho. A ostentação não era só vaidade, mas também parte do esquema de “lavagem social”, usar luxo para dar aparência de sucesso médico e científico.

Houve prisões?

Até o momento, a operação cumpriu buscas e apreensões, incluindo no consultório do médico investigado. Não foram anunciadas prisões temporárias ou preventivas até o fechamento das informações, mas a PF não descarta novas fases, especialmente diante do volume de bens apreendidos e da descoberta de laboratórios clandestinos.

A aeronave apreendida é operada pela LCA Farmacêutica - Foto: Reprodução

Quem é o médico envolvido?

O nome mais citado até agora é o do médico Gabriel Almeida, influenciador digital com quase 750 mil seguidores e dono do consultório Núcleo GA, nos Jardins, bairro nobre de São Paulo.

De acordo com a PF, Almeida é investigado por suposta participação no fracionamento e venda ilegal de tirzepatida. A acusação envolve possível atuação direta no fornecimento do produto clandestino para pacientes e intermediários.

A defesa nega tudo. O advogado afirma que:

Almeida não fabrica medicamentos, não manipula substâncias, não rotula produtos, e que sua atuação se limita à clínica e à docência.

O defensor ainda classificou a suspeita como “tecnicamente impossível” e acusou a operação de promover “julgamento midiático antecipado”.

Por que o caso é tão grave?

Porque tirzepatida é um medicamento de uso restrito, cuja manipulação fora de ambiente autorizado pode causar riscos graves à saúde. Além disso, o mercado clandestino de remédios para emagrecer virou uma mina de ouro, atraindo criminosos que surfam na busca acelerada por soluções rápidas de perda de peso.

A PF, por sua vez, enxerga o caso como uma demonstração de que o Brasil já possui um submundo farmacêutico altamente rentável, abastecido por clínicas, médicos e influencers que se apresentam como porta-vozes de saúde, bem-estar e estética.

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