Há Estados que avançam pela força das ideias e da meritocracia política.
Há outros que sobrevivem pela repetição de grupos que se revezam no poder como se o futuro fosse apenas um detalhe inconveniente. O Piauí, infelizmente, permanece há décadas no segundo caso.
É impossível ignorar a contradição: somos um povo idealista, criativo, empreendedor, mas seguimos governados por uma elite política que acredita que administrar significa apenas controlar a pobreza para controlar votos.
A máquina pública tornou-se um fim em si mesmo. Inchada, paternalista, dependente da propaganda oficial. Quem se acomoda ao sistema ganha sua parte. Quem ousa contrariar os donos do poder é empurrado para as margens do debate ou para longe do Estado.
A harmonia dos poderes nos parece perfeita demais para ser democrática. Executivo, Legislativo e Judiciário deveriam zelar pelo equilíbrio do Estado.
Aqui, porém, vivem em um casamento tão estável quanto suspeito.
Não há tensão saudável entre os poderes, não há fiscalização real, não há oposição com coragem. Há apenas uma engrenagem bem lubrificada, em que todos se beneficiam, exceto os piauienses.
Quando o maior problema institucional é justamente a harmonia, não há democracia plena. Há um condomínio político que governa para si mesmo.
No Piauí, raramente se governa para o amanhã. Governa-se para durar. Projetos estruturantes viram slogans. Obras necessárias esperam ciclos eleitorais. Desenvolvimento é refém da conveniência.
Enquanto isso, seguimos na base das estatísticas nacionais. O PIB cresce devagar. Os jovens seguem emigrando. As empresas têm dificuldade de sobreviver fora do guarda-chuva estatal.
A elite política tem medo do crescimento, porque desenvolvimento de verdade emancipa quem hoje depende dela.
A oposição que tem medo do próprio nome
Aqui, oposição não se opõe. Apenas espera a vez de integrar o mesmo sistema. Discordam no microfone, combinam no bastidor. E assim mantêm a farsa de que existe pluralidade política.
Enquanto isso, quem paga a conta literalmente, é o cidadão que trabalha, que produz, que sonha com um Estado que não trate sua própria gente como massa de manobra.
Seguimos como sabedores de que não houve ruptura institucional. Houve algo pior. A normalização do atraso.
O Piauí foi tomado por uma espécie de democracia cativa, onde a população vota, mas não escolhe. Muda de governante, mas não altera o rumo. Participa do processo eleitoral, mas não do destino coletivo.
Quando as decisões políticas servem aos mandantes, e não ao povo, o golpe já está consumado e se renova a cada eleição.
O Piauí precisa de coragem. Até quando vamos aceitar o confortável fracasso político que nos governa? O Piauí não precisa de salvadores, nem de discursos messiânicos. Precisa de Instituições independentes, lideranças com propósito, transparência radical e reformas que libertem o setor produtivo.
A mudança começa quando o povo para de agradecer por migalhas e passa a exigir o todo a que tem direito, o todo do desenvolvimento social que contemple o desempenho da educação de qualidade, da liberdade econômica e da alternância real de poder.
O Piauí está diante de uma bifurcação histórica. Ou rompe com o ciclo de mediocridade política e inaugura uma nova era de responsabilidade pública ou seguirá assistindo a elite governar em círculo, enquanto o povo continua no mesmo lugar.
A escolha ainda é nossa.
Mas o tempo da paciência acabou.
PIAUÍ A Imprensa de Trincheira: o passado de coragem que desafiou o poder e o crime no Piauí
CRÔNICA 4 Fogueira de São João no Boqueirão do Adolfo
PIAUÍ A Imprensa de aluguel do Piaui
Mín. 23° Máx. 32°