
O Brasil é mesmo o país das inversões. No discurso oficial, o Sistema Único de Saúde é universal, igualitário e acessível a todos. Na prática, porém, a pergunta que incomoda, e que poucos têm coragem de fazer, é simples: quem tem mais privilégio no SUS, o cidadão honesto ou o criminoso? Se a resposta automática for “o trabalhador que paga impostos”, prepare-se: está redondamente enganado.
A realidade é tão distorcida que parece piada de mau gosto. Mas não é. É uma tragédia diária. Um vídeo que viralizou nas redes sociais escancara a perversidade do sistema. Nele, um profissional da saúde, cansado, indignado e claramente emocionalmente abalado, relata que solicitou exames a um paciente comum, trabalhador, que esperou três anos para ser atendido. Três anos. Já um criminoso preso, de qualquer natureza, recebe autorização para o mesmo exame de um dia para o outro.
Que país é esse?
Que modelo de universalidade é esse que coloca estuprador, homicida, faccionado e narcotraficante na frente de crianças, idosos e cidadãos que sustentam o próprio SUS com seus impostos? A pirâmide está invertida, e não é de hoje. O desvio é tão absurdo que muitos profissionais da saúde afirmam que perdem o sono, e como culpá-los?
Por trás dessa aberração existe uma engrenagem. Normas, portarias, privilégios jurídicos e um arcabouço interpretativo que, aos poucos, transformaram a isonomia em privilégio seletivo. Alguém decidiu que o bandido não apenas deve ser tratado, como é justo, mas deve ser priorizado. A pergunta inevitável é: quem assegurou esse privilégio enviesado? Quem trabalha, nos bastidores, para proteger criminosos até dentro do SUS?
O caso denunciado no vídeo não parece ser exceção. Ao contrário: é sintoma de uma regra não escrita, mas aplicada com rigor administrativo impressionante. No Brasil, ser bandido compensa. Compensa porque a lei o cerca de garantias que o cidadão comum jamais verá. Compensa porque o Estado, complacente e caótico, trata criminosos como cidadãos de categoria superior.
E o contraste se torna ainda mais revoltante quando se vê o governo federal alojando mulheres negras em estábulos, obrigando-as a dormir sobre feno, enquanto um sistema já saturado se dobra para garantir agilidade nos atendimentos de criminosos de alta periculosidade. O brasileiro comum, esse sim humilhado todos os dias, precisa saber disso. E o mundo também.
Com todas as suas falhas, o SUS ainda é um dos maiores patrimônios sociais do Brasil. Mas sua credibilidade se desfaz quando a equidade se transforma em privilégio, quando a justiça se converte em distorção e quando o Estado decide que vale mais proteger quem ameaça do que amparar quem trabalha.
Algo está profundamente errado, e precisa ser corrigido antes que a sociedade, completamente descrente, desista de vez.
Veja o vídeo:
BRASIL Brasil - A engrenagem da escassez: como o poder se alimenta da miséria
NEM TODOS ESTÃO? Cuidando do que importa?
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