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Brasil ROMBO VIA PIX

Influenciador na teia internacional: o caso Gabriel Spalone e o desvio de R$ 146 milhões

Uma operação global - entre Panamá, Buenos Aires e São Paulo

24/11/2025 às 07h44 Atualizada em 24/11/2025 às 18h39
Por: Douglas Ferreira
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O golpista já se encontra preso no Brasil e via responder pelos crimes que cometeu - Foto: Reprodução
O golpista já se encontra preso no Brasil e via responder pelos crimes que cometeu - Foto: Reprodução

Quem é o acusado

Gabriel Spalone, 29 anos: influenciador digital (mais de 800 mil seguidores), empresário de fintechs (Dubai Cash e Next Trading Dubai). 
Ele é réu no Brasil por furto qualificado e associação criminosa, acusado de desviar R$ 146,5 milhões via Pix.

Modus operandi: o esquema delicado e tecnológico

  • A investigação aponta que Spalone e os outros réus usaram credenciais de uma prestadora de serviços para ter acesso a contas de uma instituição bancária brasileira. 

  • Foram criadas 10 contas bancárias específicas para receber os repasses por Pix. 

  • Parte dos valores desviados, segundo as autoridades, foi posteriormente estornada, o que reduziu o prejuízo final estimado. 

  • Segundo o Ministério Público, o grupo tinha alta coordenação e poder financeiro, indicando uma associação criminosa bem estruturada. 

Quem foi lesado

  • A vítima principal é uma instituição bancária brasileira, alvo da fraude.

  • Segundo a PF, embora parte do dinheiro tenha sido recuperada, o prejuízo efetivo ficou em torno de R$ 39 milhões.

Prisão na Argentina e extradição

  • Spalone foi preso no Aeroporto de Buenos Aires (Argentina) no dia 27 de setembro, após seu nome ter sido incluído na Difusão Vermelha da Interpol.

  • Havia sido detido também no Panamá, mas liberado porque ainda não estava incluído no sistema da Interpol naquele momento. 

  • Em 21 de novembro, ele foi extraditado da Argentina para o Brasil, para responder ao processo no país. 

Crimes que ele vai responder

  • Furto qualificado, por meio da fraude via Pix. 

  • Associação criminosa, por atuar em conjunto com pelo menos mais duas pessoas para estruturar o golpe. 

  • O Ministério Público de São Paulo ofereceu denúncia contra ele e os outros dois suspeitos (Guilherme Coelho e Jesse da Silva). 

Gabriel foi preso no aeroporto de Buenos Aires no final de setembro passado - Foto: Reprodução

Prisão e situação atual

  • Após a prisão na Argentina, a Justiça local manteve sua detenção.

  • Ele está aguardando os trâmites formais da extradição para o Brasil.

  • Na Argentina, ele passou por audiência de custódia.

Agiu sozinho?

  • Não. A investigação aponta para pelo menos dois comparsas: Guilherme Coelho e Jesse da Silva, que teriam participado diretamente da operação.

  • O Ministério Público afirma que se tratava de uma associação criminosa estável e planejada. 

Como o crime foi descoberto

  • A Polícia Civil de São Paulo, por meio da “Operação Dubai” (assim intitulada por causa das fintechs ligadas a Spalone), identificou o esquema.

  • A cooperação internacional foi crucial: a prisão na Argentina foi resultado de articulação entre Interpol, Polícia Federal brasileira, Polícia Civil de SP e autoridades de outros países (Panamá, Paraguai, EUA).

Crítica e reflexão

  • O caso levanta uma questão grave sobre controle financeiro e vulnerabilidade bancária: como um esquema Pix pode gerar um rombo tão grande?

  • Também evidencia o potencial de impunidade transnacional, já que Spalone se movimentava internacionalmente, aparentemente com conforto, até ser preso.

  • Há uma tensão clara entre celebridade digital e responsabilidade penal: influenciadores com poder financeiro podem arquitetar fraudes sofisticadas.

  • A extradição mostra a importância da cooperação internacional para crimes financeiros, mas também levanta debates sobre direitos na detenção provisória no exterior.

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