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Piauí POR ARTHUR FEITOSA

A oposição se move: entre o passado e a esperança de um novo ciclo

Um grupo antes disperso começa a se alinhar e reacende a disputa por poder no estado após décadas de domínio absoluto

23/11/2025 às 09h57
Por: Arthur Feitosa
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Imagem: Reprodução
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Depois de mais de vinte anos de domínio quase absoluto, o poder político no Piauí começa, aos poucos, a sentir a presença de algo que parecia extinto: a oposição real.
Ainda não se trata de um bloco coeso, tampouco de um projeto consolidado, mas de uma convergência de lideranças e forças sociais que, pela primeira vez em muito tempo, voltam a falar em alternância e futuro.

A hegemonia petista, sustentada por uma máquina pública poderosa e pela fragmentação das demais forças políticas do estado começa a ser desafiada. E o desafio não vem apenas dos antigos adversários, mas de uma nova geração que enxerga a política não como carreira, mas como missão de resgate cívico e econômico.

O Retorno das Lideranças Consistentes

No centro desse movimento está Ciro Nogueira, senador e articulador político que se tornou a principal referência da oposição no estado.
Com trânsito nacional e forte presença local, Ciro mantém raízes firmes no Piauí e atenção permanente às demandas dos municípios, independentemente do partido de quem governa.

Sua atuação, marcada por entregas concretas e resultados visíveis, contrasta com a seletividade do governo estadual, que trata aliados e adversários com pesos desiguais.
Enquanto Wellington e Rafael concentram o poder, Ciro descentraliza. Apoia prefeitos, dialoga com o setor produtivo e mantém abertos os canais com a sociedade civil.
Essa combinação de experiência, pragmatismo e ausência de radicalismo o consolidou como a liderança incontestável da oposição contemporânea.

O Valor da Experiência e a Voz do Setor Produtivo

Outra figura que ressurge com força é João Vicente Claudino.
Empresário bem-sucedido e ex-senador de reputação ilibada, JVC representa a ponte entre política e economia real, algo raro no cenário piauiense.
Durante seu mandato no Senado, deixou uma marca de seriedade e competência, sem máculas ou escândalos.

Sua trajetória empresarial e visão desenvolvimentista recolocam no debate público temas essenciais como investimento, geração de empregos e competitividade.
Num estado acostumado à dependência de repasses federais, JVC devolve densidade e credibilidade ao discurso oposicionista, conectando-o ao Piauí que produz e sustenta o país.

Sílvio Mendes: a Resistência que Persiste

Na capital, o prefeito Sílvio Mendes ocupa papel central nesse processo de rearticulação.
Médico, gestor experiente e líder respeitado, Sílvio é a ponte entre o passado e o presente da oposição, o símbolo da resistência cívica de Teresina frente ao domínio estadual petista.

Mesmo sob forte pressão política e financeira, mantém altos índices de aprovação e continua sendo nome espontaneamente lembrado nas discussões sobre sucessão estadual.
Sílvio representa a sobriedade administrativa e a coerência política, virtudes escassas em tempos de populismo e marketing.

Ao seu lado, destaca-se também o vice-prefeito Jeová Alencar, liderança ascendente que vem demonstrando crescimento eleitoral e capacidade de articulação a cada pleito.
Jeová amplia o alcance da oposição dentro da própria capital e desponta como voz ativa para os próximos capítulos da disputa estadual.

O Fenômeno Joel Rodrigues: Quase a Virada Contra o Cacique

Nas eleições de 2022, a oposição fez uma aposta ousada.
Joel Rodrigues, então prefeito de Floriano no exercício de seu quarto mandato, renunciou ao cargo para enfrentar Wellington Dias em uma corrida que parecia impossível.
Floriano, principal entreposto econômico do sul piauiense, foi o palco da virada simbólica: Joel quase derrotou o maior cacique político do estado.

Sua votação expressiva transformou-o em liderança estadual de apelo popular e mostrou ao próprio PT que o mito da invencibilidade tinha fim.
Joel não venceu a eleição, mas deixou no governo o sabor amargo da dúvida e a certeza de que a mudança é possível.

A Emergência de uma Nova Liderança: Tiago Junqueira

Entre todas as novidades, talvez a mais significativa seja a ascensão de Tiago Junqueira, empresário do agronegócio e símbolo de uma nova geração de liderança política.
Vindo do setor que mais cresce no estado — o agronegócio moderno, produtivo e tecnificado, ele representa a política que nasce do trabalho, não dos gabinetes.

Tiago encarna uma oposição ancorada na competência econômica e na mentalidade empreendedora.
Sua voz tem ecoado entre produtores, empresários e jovens líderes municipais que cansaram de assistir ao Piauí ser explorado por quem nada produz.
É o contraponto prático e objetivo ao tecnocratismo centralizador do atual governo.

O Desafio da Unidade

O grande desafio, agora, é transformar essa constelação de nomes em um projeto comum. Ciro Nogueira traz o capital político e o respeito nacional, apesar de ter se tornado o alvo preferencial do PT, como foram no passado recente Mão Santa e Heráclito Fortes;
João Vicente Claudino, a legitimidade empresarial e o peso econômico;
Sílvio Mendes, a experiência administrativa e o vínculo afetivo com Teresina;
Jeová Alencar, a energia de quem constrói base e grupo próprio;
Joel Rodrigues, o carisma popular e a coragem da disputa;
Tiago Junqueira, o frescor de uma nova geração que deu certo no setor privado e quer levar resultados ao setor público.

Se essas lideranças conseguirem superar vaidades e unir propósitos, o Piauí poderá assistir à formação de uma oposição moderna, estruturada e propositiva, algo que não se via desde os tempos em que Mão Santa simbolizava o rompimento com o establishment.

O Início de um Novo Ciclo

Há sinais de que o ciclo de hegemonia está chegando ao fim. O poder prolongado gera fadiga, e o petismo piauiense já mostra sintomas claros. Distanciamento popular, discurso gasto e dependência excessiva da máquina administrativa.

Em contrapartida, a oposição volta a sintonizar-se com o sentimento de mudança.
Ainda não é uma ruptura completa, mas já é o renascimento da esperança de alternância.

O futuro político do Piauí dependerá de uma equação simples. Se as forças que hoje se reúnem em torno de Ciro Nogueira, João Vicente Claudino, Sílvio Mendes, Jeová Alencar, Joel Rodrigues e Tiago Junqueira entenderem que o povo não quer apenas novos nomes, quer um novo pacto de dignidade, competência e desenvolvimento real. 
Há ainda um componente adicional que não deve ser subestimado: o cansaço daquelas lideranças que o PT historicamente usa, descarta e humilha sem a menor cerimônia. Muitas dessas vozes podem — e devem — encontrar na oposição o espaço de respeito e reconstrução que lhes foi negado.

O Piauí só mudará quando a política parar de brincar com o destino de um povo cansado de ser governado como se fosse eternamente pequeno.

O tempo das oligarquia se passou. O dos monopólios partidários está acabando.
O Piauí chega, enfim, à encruzilhada da história e parece pronto para escolher um novo caminho.

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Sobre Arthur Feitosa - Executivo e articulista político do portal Gazeta Hora1
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