
O STF Força o Enredo Mais Surreal da Política Brasileira
A cena é digna de roteirista irônico: um ex-presidente da República, condenado a 27 anos e 3 meses por um “golpe” que nunca passou do PowerPoint, pode parar em uma cela superlotada da Papuda, onde há 38 presos para 21 camas e ventilação garantida apenas pela boa vontade de Deus. A defesa fala em “risco à vida”, mas parece que ninguém em Brasília anda muito preocupado com detalhes tão triviais quanto sobrevivência.
Enquanto isso, a esquerda comemora como se fosse final de Copa; a oposição chama de perseguição digna de república bananeira; e o Supremo, aparentemente, tenta provar que consegue ser mais duro com Bolsonaro do que foi generoso com Lula e Collor. Afinal, no hall dos ex-presidentes encarcerados, o tratamento VIP sempre foi tradicional, menos agora, ao que parece.
• Lula? Condenado duas vezes - ficou na carceragem da Polícia Federal, assistindo TV e tomando café.
• Collor? Condenado por corrupção - está em prisão domiciliar, de roupão, regando plantas.
• Bolsonaro? Condenado por um “golpe inexistente” - destino provável: Papuda, Bloco 5 ou 6, onde idosos dividem beliches e bênçãos.
O curioso é que, segundo a defesa, Bolsonaro já enfrenta sequelas permanentes da facada, aquela que nunca foi totalmente esclarecida porque, como todos sabem, o celular e o notebook de Adélio Bispo são protegidos com mais zelo que documentos secretos do Pentágono.
O relatório da Defensoria Pública do DF, de 6 de novembro, não deixa dúvidas: o local não tem condições mínimas de abrigar presos idosos. Falta higiene, falta ventilação, falta atendimento médico… Só não falta ironia histórica.
A defesa argumenta que transferir Bolsonaro para lá seria “um risco real à vida”. Não é exagero: qualquer pessoa de 70 anos sobreviver à Papuda já é uma façanha; sobreviver 27 anos lá, então, é quase ficção científica.
Boa pergunta. As respostas possíveis incluem:
Para humilhar?
Para usar como troféu político?
Para deixar claro quem manda?
Ou para mostrar à nação que o STF pode ir onde nenhum tribunal jamais ousou?
Seja qual for o motivo, o fato é que a decisão de Alexandre de Moraes está mais próxima de um ato simbólico do que de uma necessidade jurídica.
Para uns, é “justiça plena”.
Para outros, é “perseguição explícita”.
Para quem observa, é apenas mais um episódio surreal do Brasil onde:
a Papuda vira argumento humanitário,
o STF vira protagonista de novela,
e um ex-presidente vira mascote involuntário do debate público.
Colocar Bolsonaro na Papuda é justiça, ou apenas um experimento para testar os limites da estabilidade política do país?
Seja como for, uma coisa é certa: a história do Brasil, que já foi tragédia e já foi farsa, agora caminha firmemente rumo ao gênero comédia política involuntária.
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