
A trigésima edição da COP - Conferência das Partes e primeira sediada na Amazônia - poderia ter sido o grande momento de afirmação internacional do Brasil. O planeta inteiro voltado para Belém; a diplomacia ambiental brasileira recuperada; a transição econômica em pauta. Mas o que se viu foi uma sucessão de constrangimentos: infraestrutura atrasada, abusos na hospedagem, preços que insultam quem conhece a região, com garrafinhas de água natural vendidas a 25 reais em uma das áreas mais ricas do mundo em recursos hídricos.
A COP, que deveria defender recursos naturais, virou vitrine de oportunismo. E não apenas comercial.
O presidente Lula, anfitrião do evento, comportou-se como animador de palanque, não como líder global. Seus discursos foram recheados de improvisos, sarcasmos e tiradas deslocadas, incompatíveis com a seriedade da agenda climática mundial. Ao anunciar o novo “vale-gás” como se fosse política ambiental, reforçou uma lógica de dependência eleitoral que nada tem a ver com transição energética ou emancipação social.
O constrangimento diplomático ficou ainda mais evidente no episódio envolvendo o chanceler alemão Friedrich Merz. Diante de críticas, Lula replicou com ironias de baixo nível, sugerindo “ir a um boteco”, reação que não ofende o visitante, mas sim o país que o presidente representa. A informalidade agressiva escancarou a falta de preparo de um governo que confunde comunicação popular com despreparo institucional.
Para piorar, os líderes das três maiores potências emissoras de poluentes industriais do planeta - China, Índia e Estados Unidos - não compareceram ao segmento de alto nível da conferência. A ausência de quem mais importa transformou a COP30 em palco esvaziado, enquanto o Brasil seguia com seu show doméstico de autopromoção.
O que deveria ser uma prova de maturidade se converteu em demonstração de improviso permanente. Delegações estrangeiras enfrentaram deslocamentos caóticos e serviços precários, uma infraestrutura que, mesmo vendida como “inovadora”, mostrou-se insuficiente e atrasada. O Brasil, em vez de capitalizar a visibilidade, entregou a imagem de um país incapaz de organizar seu próprio futuro.
A Amazônia é patrimônio estratégico do planeta; seu potencial vai muito além de discursos românticos e palanques eleitorais. O Brasil poderia ter assumido protagonismo real na nova economia verde, atraindo investimentos, tecnologia e confiança internacional. Mas preferiu o caminho mais curto: usar um evento global para consumo interno, transformando governança em espetáculo e política pública em marketing.
A COP30 será lembrada não pela visão de futuro, mas pela vergonha que impôs ao povo brasileiro. Enquanto o mundo discutia bilhões para a transição climática, nós discutíamos memes, piadas e a monetização oportunista de uma garrafinha d’água.
Se quisermos liderança no século XXI, precisamos urgentemente de um governo à altura da Amazônia - e não de um showman fora do palco e fora da realidade.
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