
A preparação brasileira para a COP30, em Belém, virou motivo de constrangimento global. A própria ONU enviou uma carta dura ao governo Lula cobrando medidas urgentes de segurança, organização e estrutura básica, itens que deveriam ser o mínimo em um evento desse porte. A invasão de manifestantes à área oficial de negociações, somada à falta de água nos banheiros, falhas no ar-condicionado e episódios de goteiras, fez o alerta internacional disparar. É a imagem do Brasil sendo novamente colocada sob o rótulo de país desorganizado, onde tudo parece improvisado em cima da hora.
O recado da ONU não foi sutil. Simon Stiell, secretário-executivo da UNFCCC, exigiu a confirmação de que as medidas necessárias seriam tomadas “até o fim do dia”. Em linguagem diplomática, isso equivale a dizer: ou vocês resolvem, ou o evento desanda de vez. Segundo a Bloomberg, o tom foi ainda mais direto nos bastidores. Falou-se em falha grave de segurança, temperaturas insuportáveis nas tendas e até risco por alagamentos, um vexame completo para uma conferência que deveria justamente simbolizar liderança ambiental.
A resposta oficial tentou minimizar o problema, como se tudo estivesse dentro do controle. Notas prontas, justificativas burocráticas, promessas de reposicionamento policial e instalação de novos aparelhos de ar-condicionado. Mas fica difícil acreditar num país que, sob o mesmo grupo político há mais de duas décadas, não conseguiu resolver o básico: saneamento, infraestrutura urbana, gestão de água, segurança pública. Se o governo não cuida nem do que é essencial para a própria população, por que conseguiria organizar um dos maiores eventos climáticos do planeta?
No fim, o episódio escancara uma verdade que o mundo inteiro já percebeu: o Brasil cria estigma, alimenta tropeços e reforça a narrativa de irresponsabilidade. Não é só um problema logístico. É a confirmação de que seguimos presos ao improviso permanente, incapazes de entregar estrutura, previsibilidade e confiança. Um país que não resolve o esgoto nas ruas tenta, agora, comandar debates sobre o futuro climático do planeta. A contradição fala por si.
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