
A China mandou remover das lojas da Apple e de sistemas Android dois dos principais aplicativos de namoro voltados ao público LGBT, o Blued e o Finka, por ordem direta da Administração do Ciberespaço da China (ACC). As plataformas desapareceram das lojas digitais no território chinês, embora ainda funcionem em celulares onde já estavam instaladas e mantenham versões acessíveis em outros países. A medida se soma a uma série de restrições contra espaços digitais de convivência da comunidade LGBT no país, que já vinha sofrendo mais censura e vigilância nos últimos anos.
Blued e Finka, controlados por uma empresa sediada em Hong Kong, eram considerados pilares da sociabilidade entre gays e bissexuais na China, em um ambiente em que a homossexualidade deixou de ser crime em 1997, mas o casamento entre pessoas do mesmo sexo continua proibido. Eventos como a ShanghaiPride foram interrompidos e grupos de ativismo LGBT vêm sendo fechados ou empurrados para a clandestinidade. Não é a primeira investida: em 2022, o Grindr já havia sido removido de lojas de aplicativos no país sob o pretexto de “campanhas de limpeza” de conteúdo considerado sensível.
Enquanto isso, parte da esquerda ocidental segue tratando a ditadura comunista chinesa como modelo de “modernidade” e “progresso”, fechando os olhos para a perseguição explícita à diversidade que tanto diz defender. É o mesmo grupo que não perde a chance de demonizar os Estados Unidos, justamente o país onde nasceram marcos centrais do movimento LGBTQIA+, como a revolta de Stonewall, em Nova York, em 1969, ponto de virada para a luta por direitos civis de gays, lésbicas e pessoas trans no mundo inteiro. 
O contraste é escancarado: o regime que muitos progressistas exaltam não tolera nem aplicativos de namoro entre adultos consentindo em privado, enquanto o país que mais odeiam virou referência histórica e simbólica da própria comunidade que dizem defender. A cada nova onda de censura de Pequim contra espaços LGBT, fica mais difícil sustentar o discurso de “defesa da diversidade” ao mesmo tempo em que se passa pano para uma ditadura que sufoca justamente essa diversidade. A hipocrisia não está nos fatos, está em quem escolhe ignorá-los.
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