
Os esquemas envolvendo os governos do PT no Piauí não são novidade. Desde que o partido passou a ocupar o Palácio de Karnak, as denúncias de corrupção, superfaturamento e desvio de recursos públicos se repetem com uma naturalidade preocupante. O caso mais emblemático, que ainda ecoa na memória popular, é o da Operação Topique, que apurou o desvio de cerca de R$ 200 milhões no transporte escolar. Apesar do rombo, nenhum centavo foi devolvido aos cofres públicos, os presos foram soltos, e a então secretária de Educação, Rejane Dias — hoje conselheira do Tribunal de Contas do Estado (TCE-PI) — foi absolvida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Mas a sequência de escândalos não parou por aí. Agora, o Ministério Público do Piauí (MPPI) investiga a empresa JDN Empreendimentos Urbanos, contratada entre 2017 e 2020 pelo governo estadual, à época sob Wellington Dias, para executar obras de pavimentação e instalação de poços tubulares, que somam R$ 19,8 milhões. O que intriga os investigadores é a capacidade operacional da empresa: em 2016 e 2017, um único funcionário; em 2018, três; em 2019, sete; e em 2020, dez. Um caso digno de “produtividade sobrenatural” — ou, como suspeita o MP, subcontratação irregular e direcionamento de licitações.
A 36ª Promotoria de Justiça de Teresina apura indícios de superfaturamento, subcontratação integral e conluio entre servidores e empresários. O Tribunal de Contas do Estado já havia detectado as mesmas irregularidades em um relatório de 2023, reforçando os sinais de fraude e má gestão. Em alguns casos, segundo o MP, as obras nem sequer foram concluídas.
O episódio ocorrido em Miguel Alves, em 2023, ilustra bem o modus operandi: a Construtora Ideal, que havia fornecido pedras de paralelepípedo para a JDN, arrancou o material de ruas recém-pavimentadas após não receber pagamento. A obra era contratada pelo IDEPI, autarquia estadual responsável por obras de infraestrutura.
O nome da JDN também apareceu na “mochila de dinheiro” apreendida pela Polícia Federal em 2022, quando o motorista Wellington Nascimento Mesquita foi preso com R$ 359,7 mil em espécie durante o período eleitoral. O veículo era da JDN — ou havia sido alugado pela empresa. Além disso, a JDN formou consórcios com a HS Construtora, cujo sócio, Haran Santhiago, é investigado na Operação Carbono Oculto — por suspeita de lavar dinheiro para o PCC no Piauí — e crimes no comércio de combustíveis. O proprietário da JDN, Jackson Dias Cunha Nogueira, também é sócio de uma empresa de combustíveis, o que reforça as conexões suspeitas entre os grupos.
A investigação do MP pode resultar em ação pública de ressarcimento e responsabilização dos envolvidos. Mas, como mostra a história recente, a impunidade tem sido regra nos escândalos que envolvem a máquina pública piauiense. E a pergunta que não quer calar: quantos esquemas mais ainda estão escondidos sob o asfalto das obras milionárias do governo?
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