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Brasileiros querem endurecer a lei: 7 em cada 10 apoiam tratar facções como terroristas

Pesquisa nacional mostra que maioria da população defende punições mais duras a grupos criminosos, enquanto o Congresso ainda debate se a medida é constitucional e segura para o país

12/11/2025 às 18h47 Atualizada em 14/11/2025 às 09h07
Por: Wagner Albuquerque
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Foto: Reprodução
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Sete em cada dez brasileiros acreditam que facções criminosas como o PCC e o Comando Vermelho deveriam ser tratadas como grupos terroristas. A conclusão é de uma pesquisa feita pelo Instituto de Planejamento Estratégico (Ibespe) entre os dias 3 e 10 de novembro. O levantamento ouviu 1.010 pessoas por telefone e mostra que 72,8% apoiam a medida, enquanto 18,8% são contra e 8,4% não souberam opinar. A margem de erro é de 3,1 pontos percentuais.

O apoio à proposta é mais forte nas regiões Centro-Oeste (80,6%) e Sul (75,4%), e menor no Norte (64,8%). Entre os homens, 78,7% concordam com a ideia; entre as mulheres, 67,5%. Já na faixa dos 35 aos 44 anos, o índice chega a 76,8%. A pesquisa também mostra uma clara divisão política: 85,9% dos eleitores de Jair Bolsonaro apoiam a proposta, contra 59,6% dos que votaram em Lula. Entre os evangélicos, o apoio é ainda maior, 79,6%.

O debate ganhou força após a declaração do presidente Lula, no fim de outubro, durante uma visita à Indonésia, quando disse que “os usuários de drogas são responsáveis pelos traficantes”. A fala gerou polêmica e, segundo o Ibespe, 43,6% dos brasileiros acreditam que o presidente se confundiu, enquanto 38,3% acham que ele realmente pensa assim. O episódio reacendeu discussões sobre a responsabilidade de usuários e traficantes no combate às drogas.

Enquanto a população se mostra favorável a medidas mais duras, o Congresso ainda patina no tema. O relator do Projeto de Lei Antifacção, deputado Guilherme Derrite (PP-SP), chegou a propor a inclusão de facções na Lei Antiterrorismo, mas recuou diante da resistência de parte dos parlamentares e do próprio governo. O Ministério da Justiça teme que essa equiparação possa abrir precedentes para interferências externas, como ações dos Estados Unidos em países da América Latina e gerar riscos à soberania nacional.

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