
A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou, nesta quarta-feira (12), por 17 votos a 10, a recondução de Paulo Gonet ao cargo de procurador-geral da República. Conhecido pelo estilo reservado e pela cautela nas manifestações públicas, Gonet defendeu durante a sabatina que decisões sobre anistia cabem exclusivamente ao Congresso. “Entendo que há polêmica em torno disso do ponto de vista jurídico, mas é competência do Congresso se manifestar”, afirmou.
A fala veio em resposta a críticas da oposição, principalmente de parlamentares ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) acusou Gonet de “atropelar o Congresso” ao considerar a anistia inconstitucional antes mesmo de conhecer o texto do projeto. Apesar da pressão, o procurador manteve o tom equilibrado e ressaltou que sua atuação seguirá “sem vazamentos, sem declarações públicas e com respeito absoluto ao sigilo judicial”.
Com essa postura discreta, Gonet tenta se distanciar de antigos titulares do cargo, como Augusto Aras e Rodrigo Janot, marcados por embates públicos e forte exposição midiática. A avaliação entre senadores do Centrão é de que ele tem bom diálogo com o Legislativo e até apoio parcial dentro do PL. A resistência mais dura à recondução veio apenas do grupo bolsonarista, incomodado com o pedido de condenação feito por Gonet contra Bolsonaro no caso da tentativa de golpe.
A expectativa é de que o plenário do Senado confirme ainda hoje a recondução do procurador-geral. O governo Lula, que demonstrava preocupação com a sabatina, avaliou o resultado como positivo e vê em Gonet um perfil institucional e previsível — algo raro em meio à tensão política que ainda ronda Brasília.
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