
Uma semana após a Polícia Federal ter deflagrado a Operação Front Stage, que investiga supostas irregularidades na aplicação da Lei Aldir Blanc na Secretaria de Cultura do Piauí, o então secretário Carlos Anchieta foi exonerado do cargo. A decisão foi publicada no Diário Oficial do Estado nesta quinta-feira (5), após Anchieta renunciar ao posto.
Carlos Anchieta, que estava à frente da pasta desde o período investigado, nas gestões de Fábio Novo e sua própria, negou qualquer envolvimento em atos ilícitos. No entanto, sua saída ocorre em meio a um cenário de crescente pressão pública e investigações que sugerem possíveis desvios de recursos destinados a projetos culturais nos anos de 2020 e 2021. O governador Rafael Fonteles, que manteve Anchieta em sua equipe até então, decidiu pela exoneração após o anúncio de renúncia do secretário.
Anchieta declarou que sua renúncia foi uma medida para garantir a transparência e independência das investigações. "Espero colaborar de maneira irrestrita e incondicional para que tudo seja devidamente esclarecido", afirmou em comunicado.
A Operação Front Stage investiga um esquema de lavagem de dinheiro envolvendo favorecimentos de agentes públicos e empresas em editais culturais financiados pela Lei Aldir Blanc. Segundo as denúncias, parte dos recursos destinados a artistas e projetos culturais pode ter sido desviada, com indícios de duplicidade de recebimentos e repasses suspeitos a empresas ligadas a eventos culturais, numa espécie que está sendo chamada de "CNPJ premiado', por envolver, sobretudo, pessoas próximas ao ex-secretário e candidato a prefeito de Teresina, pelo PT, Fábio Novo. Apesar de ainda não ter sido comprovado o envolvimento direto de Anchieta, as investigações apontam indícios de recebimentos indevidos, levantando questionamentos sobre sua conduta à frente da Secult.
Com a saída de Anchieta, a advogada Ingrid Pereira da Silva assumirá o comando da Secretaria de Cultura de forma interina, até que um novo nome seja escolhido pelo governador.
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