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Suzane von Richthofen: a criminosa que tenta ser “cidadã comum”

Condenada por orquestrar a morte dos pais, Suzane tenta reconstruir a vida fora da prisão, mas seu passado a persegue — e a sociedade parece não estar pronta para vê-la como uma “mulher reabilitada”

12/11/2025 às 06h00 Atualizada em 12/11/2025 às 10h57
Por: Douglas Ferreira
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Suzane isolada no fundão da sala de aula - Foto: Reprodução
Suzane isolada no fundão da sala de aula - Foto: Reprodução

Ela voltou aos holofotes — e, como sempre, sem pedir. Suzane von Richthofen, o nome que o Brasil aprendeu a sussurrar, foi aprovada no curso de Direito da Universidade São Francisco, em Bragança Paulista. Sim, Direito. A ironia é inevitável: a mulher condenada por planejar a morte dos próprios pais agora estuda as leis que ignorou de forma brutal há pouco mais de duas décadas.

Desde o lançamento da série Tremembé, sua vida — que parecia destinada ao esquecimento — voltou a ser devassada. Hoje, ela mora em Águas de Lindóia, com o marido, o médico Felipe Zecchini Muniz, e o filho do casal, nascido em 2024. Vive discretamente, longe das câmeras, vendendo produtos artesanais nas redes. Mas bastou aparecer na faculdade para que celulares se erguessem, fotos circulassem e o passado voltasse a assombrar o presente.

A imagem é quase trágica: Suzane, sozinha em uma sala de aula, cercada de olhares desconfiados. Ninguém quer estar ao lado dela, ninguém quer ser “o colega da Suzane”. É o peso do estigma. A sociedade brasileira, ainda ferida e moralmente dividida, parece não saber como reagir à “nova” Suzane — reabilitada pela lei, mas não pela opinião pública.

A Suzane da prisão, do cinema chama a atenção na sala de aula - Foto: Reprodução

Desde o crime, ela tentou reconstruir a vida várias vezes. Tentou cursar Administração, Farmácia, Biomedicina... sempre esbarrando em limitações judiciais, em mudanças de cidade, ou, quem sabe, em uma barreira invisível: o julgamento social.

Agora, ironicamente, escolheu o Direito — talvez em busca de compreender o que um dia desprezou. Mas resta a dúvida: Suzane von Richthofen vai conseguir levar uma vida normal algum dia?

Onde quer que vá tem sempre alguém com o celular na mão fotografando - Foto: Reprodução

A resposta, por enquanto, é uma só: o cárcere acabou, mas a sentença social é perpétua.

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