
Ela voltou aos holofotes — e, como sempre, sem pedir. Suzane von Richthofen, o nome que o Brasil aprendeu a sussurrar, foi aprovada no curso de Direito da Universidade São Francisco, em Bragança Paulista. Sim, Direito. A ironia é inevitável: a mulher condenada por planejar a morte dos próprios pais agora estuda as leis que ignorou de forma brutal há pouco mais de duas décadas.
Desde o lançamento da série Tremembé, sua vida — que parecia destinada ao esquecimento — voltou a ser devassada. Hoje, ela mora em Águas de Lindóia, com o marido, o médico Felipe Zecchini Muniz, e o filho do casal, nascido em 2024. Vive discretamente, longe das câmeras, vendendo produtos artesanais nas redes. Mas bastou aparecer na faculdade para que celulares se erguessem, fotos circulassem e o passado voltasse a assombrar o presente.
A imagem é quase trágica: Suzane, sozinha em uma sala de aula, cercada de olhares desconfiados. Ninguém quer estar ao lado dela, ninguém quer ser “o colega da Suzane”. É o peso do estigma. A sociedade brasileira, ainda ferida e moralmente dividida, parece não saber como reagir à “nova” Suzane — reabilitada pela lei, mas não pela opinião pública.
Desde o crime, ela tentou reconstruir a vida várias vezes. Tentou cursar Administração, Farmácia, Biomedicina... sempre esbarrando em limitações judiciais, em mudanças de cidade, ou, quem sabe, em uma barreira invisível: o julgamento social.
Agora, ironicamente, escolheu o Direito — talvez em busca de compreender o que um dia desprezou. Mas resta a dúvida: Suzane von Richthofen vai conseguir levar uma vida normal algum dia?
A resposta, por enquanto, é uma só: o cárcere acabou, mas a sentença social é perpétua.
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