
Há momentos em que a gente olha para o governo federal e pensa: “Não é possível”. E aí vem a COP30 e confirma que sim, é possível. É possível ser mais trapalhão, mais improvisado e mais constrangedor do que no mês passado, e possivelmente menos profissional do que uma festa junina escolar.
Comecemos pelo desfile. Se você não assistiu, agradeça. Foi uma mistura de teatro de quinta, performance de rua e fantasia de Carnaval comprada na 25 de Março. A fauna amazônica — tão rica, tão diversa, tão exuberante — foi representada por… pano. Muito pano. E por performances de joelhos, arrastando o orgulho nacional no chão. Literalmente.
E, como se não bastasse, meteram uma girafa no meio. Sim, uma girafa. Girafa amazônica! Os organizadores, em algum momento de epifania geográfica, decidiram que a savana africana e a floresta amazônica são praticamente a mesma coisa. Ou que o continente africano se comunica com a América. Deve ter sido aquele famoso “erro técnico”.
Resultado? O desfile foi filmado, postado e virou o que sempre vira quando se faz algo ruim no Brasil: meme. Viralizou. E não no bom sentido. O mundo deve estar se perguntando se a Amazônia tem safári e se o próximo desfile terá leão, zebra e rinoceronte.
O público internacional — reduzido, quase tímido — certamente pensou: “Mas o que é isso?” E nós, brasileiros, respondemos em coro: “Não sabemos”. E pior: estamos acostumados. Virou rotina ver eventos oficiais virarem constrangimento diplomático. A diferença é que dessa vez foi global.
Nas redes, ninguém perdoou. Os comentários são uma aula de sarcasmo cultural:
“Tá ruim o dia? Pelo menos você não é um animal de pano da COP30.”
“Meu Deus do céu… isso é um desfile do inferno.”
“Se fosse dia do folclore numa escola estadual eu entendia, mas numa conferência internacional…”
“O jacaré desistiu. E ainda levou bronca.”
Não dá nem para culpar o jacaré. O pobre réptil, interpretado por um humano suando em bicas, na maior pingueira, tentou dignidade até onde foi possível. Depois abandonou o personagem. O profissionalismo ficou para a girafa que, coitada, nem deveria estar lá.
E o impacto? Bom… a fake fauna amazônica já deu a volta ao mundo. O estrago está feito. A piada está solta. O meme viajou mais rápido do que qualquer ação climática efetiva.
Conclusão:
Se o objetivo era chamar atenção, conseguiram. Mas não pela biodiversidade. Não pela cultura. Não pelo compromisso ambiental. Chamaram atenção pelo fiasco.
A COP30 virou meme. Literalmente.
E você? Achou hilário ou vergonhoso? Porque, sinceramente, foi os dois ao mesmo tempo.
E é melhor nem perguntar quanto custou. Até porque é você que está pagando
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