
O governador do Paraná, Ratinho Junior (PSD), decretou estado de calamidade pública neste sábado (8) em Rio Bonito do Iguaçu, no centro-sul do estado, após um tornado de categoria F3 destruir cerca de 90% das casas e comércios do município. O fenômeno natural provocou seis mortes, deixou uma pessoa desaparecida e feriu mais de 400 moradores, sendo nove em estado grave.
Segundo o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), os ventos chegaram a 250 km/h, força suficiente para arrancar telhados, derrubar estruturas de concreto e arremessar veículos a dezenas de metros. A cena, segundo relatos locais, “parecia saída de um filme de guerra”.
O decreto de calamidade pública é o reconhecimento formal de que o poder público local perdeu a capacidade de resposta diante da dimensão do desastre. Na prática, isso abre caminho para o uso de medidas excepcionais, permitindo que o Estado atue com mais rapidez e flexibilidade.
Entre as consequências imediatas estão:
Dispensa de licitações para compra de materiais e contratação de serviços emergenciais;
Liberação imediata de verbas estaduais e federais;
Facilidade para remanejamento orçamentário;
Solicitação de apoio logístico e financeiro ao governo federal e à Defesa Civil Nacional.
Ou seja, é uma via legal para driblar a burocracia e salvar vidas.
Em situações de catástrofe, cada hora é decisiva. O decreto de calamidade permite que o governo envie recursos, alimentos, medicamentos e equipamentos sem os trâmites demorados da administração pública. É uma medida que transforma o socorro em prioridade absoluta — acima da papelada.
Nas palavras do governador:
“Como quase toda a cidade foi afetada, determinei o decreto de calamidade pública para agilizar os atendimentos e liberar recursos. Também orientei a Cohapar a estudar medidas para reconstrução das moradias e estamos organizando abrigos temporários para as famílias atingidas”.
Ratinho Junior afirmou que todas as forças estaduais foram mobilizadas. Equipes da Defesa Civil, Corpo de Bombeiros, Cohapar e Saúde trabalham em conjunto com os municípios vizinhos.
Entre as medidas imediatas anunciadas estão:
Montagem de abrigos temporários em escolas e ginásios;
Distribuição de água, alimentos e colchões;
Atendimento hospitalar reforçado em Cascavel;
Envio de ambulâncias e tropas de resgate de Londrina e Cascavel;
Levantamento técnico para reconstrução das moradias.
Além disso, o estado vai acionar o Fundo Estadual de Calamidade Pública, que será usado para reparar a infraestrutura urbana e apoiar economicamente os pequenos comerciantes afetados.
Em Rio Bonito do Iguaçu, o cenário é de destruição quase total. Casas foram varridas do mapa, árvores centenárias arrancadas pela raiz e redes elétricas destruídas. “Não sobrou nada. O vento levou tudo”, relatou um morador à imprensa local.
Ainda há equipes procurando desaparecidos e animais soterrados. A cidade amanheceu em silêncio, quebrado apenas pelo som das máquinas e do choro dos desabrigados.
Com o decreto em vigor, o governo federal deve ser acionado para liberar recursos extraordinários. A expectativa é que o Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional reconheça o estado de calamidade ainda neste fim de semana, o que permitirá acesso ao Fundo Nacional de Calamidades e apoio das Forças Armadas.
Ratinho Junior garantiu que nenhuma família ficará desassistida.
“Estamos trabalhando para reconstruir Rio Bonito do Iguaçu. O povo paranaense é forte e vai se reerguer”.
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