
Depois de quatro anos de desenvolvimento, o Banco Central do Brasil decidiu desligar a plataforma do Drex, o projeto que pretendia criar o real digital, uma versão virtual da moeda brasileira. A decisão, revelada nesta semana, encerra oficialmente a fase experimental que vinha sendo conduzida com grandes bancos e empresas de tecnologia. O BC informou aos participantes que a infraestrutura baseada em blockchain será desativada, encerrando o uso da rede Hyperledger Besu, que havia sido escolhida para sustentar o sistema.
O Drex havia sido apresentado como uma das maiores inovações do sistema financeiro nacional, prometendo simplificar transações entre bancos, automatizar contratos, agilizar operações de crédito e reduzir a burocracia em cartórios e registros de imóveis e veículos. No entanto, de acordo com fontes ouvidas pela imprensa, o modelo técnico foi considerado caro e inseguro para os padrões do Banco Central, o que levou à sua descontinuação.
A decisão coloca o Brasil na mesma direção de outros países que também recuaram nos chamados projetos de moedas digitais de bancos centrais (CBDCs). Segundo levantamento da Nexa Finance, apenas 5 das 137 jurisdições que estudam o tema avançaram de fato para a fase de implementação. Enquanto isso, o mercado financeiro global tem visto o crescimento das stablecoins — moedas digitais privadas atreladas a ativos reais, como o dólar — como alternativa mais prática e segura.
Fontes próximas ao projeto afirmam que o BC pretende repensar totalmente a estrutura do Drex, priorizando o modelo de negócio e a interoperabilidade, em vez de focar na tecnologia blockchain. A mensagem é clara: o Banco Central quer um sistema digital que funcione na prática, sem os altos custos e os riscos que marcaram o projeto original. O “real digital”, como foi idealizado, está oficialmente fora do ar — e o futuro da moeda virtual brasileira, por enquanto, é incerto.
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