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Brasil DESMORALIZAÇÃO TOTAL

Lula, o traficante e a “matança” que ninguém entendeu

O presidente que fala pelos cotovelos, o STF que ouve em silêncio e o Brasil que vira palco da maior comédia de mau gosto já encenada por um governo

05/11/2025 às 06h00
Por: Douglas Ferreira
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As declarações de Lula a criminosos há não surpreendem mais - Foto: Reprodução
As declarações de Lula a criminosos há não surpreendem mais - Foto: Reprodução

Pelo visto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva resolveu abrir uma nova frente de “apoio humanitário”: a defesa do tráfico. Depois de garantir que “o traficante é vítima do viciado” — uma pérola da sociologia de boteco —, ele voltou à carga, chamando a megaoperação policial no Rio de Janeiro de “matança”. Sim, segundo o presidente, o cumprimento de mais de cem mandados contra narcoterroristas é um massacre, e não um confronto entre criminosos armados com fuzis e policiais tentando sobreviver.

A fala seria apenas mais um tropeço verbal, se não fosse o retrato perfeito de um governo que parece viver em um universo paralelo, onde bandido é vítima, polícia é vilã e a realidade é um detalhe incômodo. Lula parece acreditar que o tráfico é um movimento social e o fuzil, uma ferramenta de resistência cultural.

Mas, convenhamos, chamar de “matança” uma operação respaldada pela Justiça e que resultou na morte de quatro policiais soa, no mínimo, como uma afronta. O presidente não só ignorou o sacrifício dos agentes mortos, como ainda conseguiu vitimizar os criminosos que os assassinaram. E o silêncio sobre as famílias enlutadas? Nem uma palavra. Talvez não tenha sobrado espaço no discurso, ocupado que estava com as preocupações humanitárias com o “trabalhador do fuzil”.

E onde está o STF nessa história toda? Pois é, o tribunal que costuma exigir explicações em 24 horas quando um deputado posta uma frase atravessada nas redes sociais, parece ter tirado férias morais. Nenhum ministro cobrou satisfações do presidente por chamar de “matança” uma ação policial. Nenhuma nota de repúdio. Nenhum “pedido de retratação”. Só silêncio. Talvez estejam ocupados demais censurando quem ousa discordar.

O ministro Alexandre de Moraes, inclusive, foi ao Rio de Janeiro cobrar explicações do governador Cláudio Castro. Sim, o mesmo Moraes que vive prometendo “respeitar a autonomia dos entes federativos” resolveu agora brincar de corregedor de governador. O resultado? Um espetáculo de desmoralização nacional. O presidente é desmoralizado, o governo é desmoralizado e o Brasil, ah, esse já perdeu até o direito de corar de vergonha.

Lula ainda sugeriu uma “investigação autônoma” da Polícia Federal, que — detalhe técnico que ele aparentemente desconhece — não possui legistas próprios. Ou seja, o presidente quer que uma polícia sem peritos investigue uma operação da qual ela mesma se omitiu. É o famoso “faça o que eu digo, mas não entenda o que eu faço”.

Enquanto isso, no Congresso, a oposição tentou trazer um pouco de racionalidade ao circo. O deputado Zucco (PL-RS) classificou a fala de Lula como “um escárnio” e lembrou que “é difícil acreditar que um chefe de Estado tenha dito isso”. Difícil, mas não impossível — afinal, no Brasil de 2025, a fronteira entre o absurdo e o cotidiano foi oficialmente abolida.

“Essa é uma daquelas declarações que a gente assiste uma vez e não acredita, assiste a segunda e começa a duvidar, e na terceira fica incrédulo. É tudo aquilo que jamais se esperaria ouvir de um chefe de Estado — de um presidente da República que deveria estar do lado da lei, das forças de segurança e do povo brasileiro”, asseverou Zucco.

De fato, o país está sitiado. Facções controlam territórios, o narcotráfico dita regras e o cidadão comum vive enclausurado. O que se esperava do presidente era liderança, coragem, firmeza — e não um discurso de vitimização dos algozes. Mas Lula prefere filosofar em Jacarta sobre os dilemas morais dos traficantes. Se continuar assim, o próximo passo será criar o “Bolsa Fuzil”, um programa de inclusão social para quem optar pela carreira de bandido.

O mais trágico — e, ao mesmo tempo, o mais cômico — é que tudo isso acontece em meio a uma crise de segurança sem precedentes. Enquanto o povo clama por proteção, o presidente oferece empatia aos criminosos. Enquanto policiais morrem, ele manda legistas da PF “investigarem” — só esqueceu de perguntar se há legistas disponíveis. É o governo da improvisação permanente: quando não falta ação, sobra discurso; quando não falta vergonha, sobra ironia.

E assim seguimos, entre tiros, discursos e trapalhadas, tentando entender se ainda somos uma República ou se já viramos uma tragicomédia bolivariana. No fim das contas, o problema não é Lula não saber o que fala — o problema é que ele acredita no que diz. E isso, convenhamos, é muito mais perigoso.

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