
O que há em comum entre Ricardo Lewandowski, Guilherme Boulos, Fernando Haddad, Márcia Tiburi, Karen Santos, Oruam, Jacqueline Muniz e Luiz Inácio Lula da Silva? A resposta não está num grupo de estudos da USP, nem numa reunião do Foro de São Paulo — embora pudesse estar. O elo que os une é mais profundo e, digamos, preocupante: todos acreditam que o criminoso é vítima da sociedade.
Sim, para essa turma iluminada, o traficante não é o sujeito que destrói vidas, financia facções e espalha medo — é um coitado que o “sistema” empurrou para o crime. É a velha tese marxista de botequim: “o homem é produto do meio”. Só esqueceram de dizer que, no meio deles, o produto é o caos.
Comecemos pelo ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, que já cunhou a máxima: “a polícia prende mal e o Judiciário é obrigado a soltar.” Traduzindo: o problema não é o crime, é quem tenta combatê-lo. Já Fernando Haddad prefere deslocar a culpa: para ele, o “cabeça do crime organizado está na praia de Miami, não na Penha”. Um raciocínio curioso, já que os mortos continuam sendo os da Penha.
Enquanto isso, Guilherme Boulos, o sem-teto mais bem alojado do país, ecoa o mantra da Faria Lima: “o chefe do crime está na elite, não na favela.” O discurso soa bonito nas redes sociais, mas tenta apagar o óbvio — o traficante da favela é tão criminoso quanto o engravatado que o financia. Só muda o endereço e o perfume.
A filósofa petista Márcia Tiburi resolveu elevar o debate ao nível do surrealismo acadêmico. “Sou a favor do assalto, vejo uma lógica no assalto”, declarou, talvez entre uma aula sobre ética e outra sobre dialética do furto. A vereadora psolista Karen Santos, de Porto Alegre, foi além e decretou: “traficante é um trabalhador.” É o comunismo aplicado ao crime: o ladrão como proletário, o assalto como luta de classes.
Mas calma que a aula ainda não acabou. A professora Jacqueline Muniz, da Universidade Federal Fluminense, trouxe a solução definitiva para o tráfico armado: “um traficante com fuzil pode ser facilmente combatido com uma pedrada.” Sim, uma pedrada. Talvez inspirada em Davi, esquecendo que Golias, hoje, anda de AR-15.
O rapper Oruam, filho do traficante Marcinho VP, também quis filosofar: “eu e meu pai somos reflexo da sociedade.” Se for verdade, talvez esteja na hora de trocar o espelho. E então chegamos ao mestre supremo dessa escola de pensamento torto: Luiz Inácio Lula da Silva, presidente da República, que em Jacarta, na Indonésia, declarou para o mundo que “o traficante é vítima do viciado.”
Pirou ou não pirou? O presidente da maior nação da América do Sul justificando o tráfico de drogas com uma inversão moral de dar inveja a Freud. E o pior é que essa insanidade vem de quem deveria garantir a lei e a ordem. O resultado é óbvio: o Brasil caminha para se tornar um narco-estado de direito — com ênfase no “de direito”, porque a lei, aparentemente, só protege quem está do lado errado.
Entre ministros, artistas e acadêmicos, forma-se uma verdadeira liga da inversão moral, onde o criminoso é herói, o policial é vilão e o cidadão de bem é um tolo que “não entende a complexidade social”. O problema é que, nesse país onde o absurdo virou política pública, a “complexidade” já virou piada.
E assim o Brasil vai trilhando o caminho das repúblicas do pó, como Bolívia e Venezuela, com uma diferença: lá, o narco-estado é clandestino; aqui, é ideológico e tem crachá. E quem ousa discordar ainda é acusado de “falta de empatia”. Pois é — no Brasil de hoje, defender a lei é crime, mas defender o criminoso virou virtude.
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