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Justiça IMPROBIDADE

Promotor Maurício Verdejo é denunciado por enriquecimento ilícito no Piauí

Ministério Público pede condenação por ato de improbidade administrativa e bloqueio de bens após denúncia de propina milionária feita por empresário à Polícia Federal

04/11/2025 às 05h58
Por: Douglas Ferreira
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Promotor afastado Maurício Verdejo - Foto: Reprodução
Promotor afastado Maurício Verdejo - Foto: Reprodução

O Ministério Público do Estado do Piauí ajuizou, nesta segunda-feira (3), uma ação de improbidade administrativa contra o promotor de Justiça Maurício Verdejo Gonçalves Júnior, acusado de exigir propina de R$ 2 milhões do empresário Junno Pinheiro. O caso ganhou destaque por envolver um membro do próprio MP e por ter sido acompanhado de um flagrante montado pela Polícia Federal.

De acordo com o MP, a denúncia foi formalizada pelos promotores Edilsom Farias e Flávio Teixeira de Abreu Júnior, ambos integrantes do Núcleo das Promotorias de Justiça de Defesa do Patrimônio Público e da Probidade Administrativa. O pedido baseia-se em provas coletadas pela PF, que embasaram também uma denúncia penal já recebida pela Justiça.

As investigações apontam que Maurício Verdejo prometeu facilitar o arquivamento de um procedimento investigatório criminal e atuar em favor da absolvição de Junno Pinheiro em um processo por acidente de trânsito com morte ocorrido em Teresina. Em troca, ele teria exigido o pagamento milionário como propina.

O empresário, orientado pela Polícia Federal, aceitou colaborar com as investigações e realizou o pagamento de R$ 1 milhão, parte da quantia inicialmente exigida. A entrega de R$ 500 mil em espécie foi registrada por câmeras ocultas e ocorreu em frente à residência do promotor, em 2 de agosto de 2024. As cédulas foram previamente digitalizadas pela PF para comprovar o crime.

Na ação, os promotores afirmam que restou comprovado que o requerido agiu com vontade livre e consciente, objetivando o resultado ilícito, o que ocasionou vantagem patrimonial indevida”. Para o MP, a conduta configura ato doloso de improbidade administrativa e enriquecimento ilícito.

O Ministério Público requer ainda o bloqueio de R$ 104 mil dos bens de Verdejo — valor que corresponde à diferença entre a propina recebida e o montante apreendido pela PF, que somou R$ 896 mil. O objetivo é garantir o ressarcimento ao erário e evitar dissipação do patrimônio.

Com a denúncia, o promotor afastado pode enfrentar duas frentes de responsabilização: a civil-administrativa, no âmbito da Lei de Improbidade, e a criminal, no processo penal que já tramita no Tribunal de Justiça do Piauí. Em ambas, as penas são severas e podem incluir perda da função pública, multa, suspensão de direitos políticos e até prisão.

Caso seja condenado na esfera penal, Maurício Verdejo poderá cumprir pena de reclusão por crimes como corrupção passiva e concussão, previstos no Código Penal Brasileiro. Já no campo administrativo, a condenação por improbidade implicaria expulsão dos quadros do Ministério Público do Piauí, perda dos vencimentos e inelegibilidade por até oito anos.

A denúncia representa um marco raro e grave na história do MP piauiense. Envolvendo um dos seus próprios membros, o caso lança luz sobre a necessidade de controle interno rigoroso e transparência institucional, pilares essenciais para a credibilidade da Justiça.

Enquanto a ação tramita, o promotor segue afastado das funções e responderá ao processo sem prerrogativas funcionais que possam interferir na investigação. O desfecho do caso será decisivo para medir até que ponto o Ministério Público está disposto a combater a corrupção dentro de seus próprios quadros e reafirmar o compromisso com a legalidade.

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