
As recentes declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante viagem à Indonésia, continuam a provocar forte reação em todo o país. Ao afirmar que “os traficantes são vítimas dos usuários”, Lula acendeu um incêndio moral e político que atravessou ideologias e partidarismos. Até mesmo dentro da própria esquerda, a fala foi vista como abjeta e indefensável.
Entre os grupos mais revoltados estão os familiares e amigos de dependentes químicos, que classificaram as palavras do presidente como uma afronta direta à dor de milhões de brasileiros. Para essas famílias, Lula não apenas desrespeitou o sofrimento de quem convive com o vício, mas rompeu com o senso básico de justiça e humanidade.
Em nota pública, o grupo expressou “profundo pesar e indignação” diante do que considerou uma vitimização imoral de criminosos. O texto destaca que “a dependência química é uma doença, não um crime”, e que o usuário precisa de tratamento, acolhimento e oportunidade — não de discursos que confundem vítimas e algozes.
A nota lembra que entre 10 e 15 milhões de brasileiros enfrentam algum tipo de dependência de drogas ou álcool. Por trás desses números estão histórias de dor, luta e resiliência, travadas diariamente por pessoas que tentam se manter sóbrias e reconstruir a vida. São famílias que clamam por políticas públicas eficazes, não por declarações que relativizem o mal causado pelo tráfico.
Os signatários da manifestação foram enfáticos: equiparar traficantes — agentes do crime organizado — a vítimas da dependência é um erro moral e político grave. Para eles, essa comparação banaliza o sofrimento de quem perdeu filhos, irmãos ou pais para as drogas e ofende os profissionais e voluntários que trabalham na recuperação de dependentes.
A declaração de Lula, além de causar repulsa, reacende um debate essencial: qual o verdadeiro compromisso do governo com o combate ao tráfico e à dependência? Ao inverter os papéis entre criminosos e vítimas, o presidente alimenta um discurso perigoso, que enfraquece a percepção de responsabilidade e desestimula a luta contra o vício.
O grupo também reafirma o compromisso com a compaixão e a dignidade humana, destacando que é dever da sociedade acolher quem sofre e responsabilizar quem destrói. “Compadecer-se dos dependentes é um dever humano”, diz a nota. “Mas relativizar a culpa dos que lucram com o vício e o tráfico é negar a própria noção de justiça.”
As famílias pedem empatia e ação governamental, cobrando políticas públicas que integrem saúde, educação e segurança. O apelo é por programas de tratamento acessíveis, campanhas educativas e repressão firme ao tráfico — sem inversões morais ou populismo ideológico.
No encerramento da nota, o grupo foi categórico: “Em memória dos que perdemos e em respeito aos que resistem, reafirmamos: o Brasil precisa acolher quem sofre, tratar quem precisa e punir quem destrói. Só assim poderemos construir um país mais humano e verdadeiramente justo.”
O episódio deixa claro que, enquanto o governo insiste em discursos ambíguos, a sociedade civil clama por coerência e responsabilidade. Em um país devastado pelo tráfico e pela dependência, falar é um ato político — e cada palavra dita pelo presidente pesa sobre milhões de vidas.
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