
O governo federal ampliou em 2025 o orçamento para propaganda oficial a R$ 876 milhões, o maior valor em dez anos. O montante supera em muito os R$ 598 milhões reservados em 2024 e os R$ 531 milhões de 2023. Os dados são do portal Siga Brasil, do Senado Federal, e foram divulgados pela Folha de S. Paulo e confirmados pela Gazeta do Povo. O salto ocorre no terceiro ano do atual mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), justamente no período em que o presidente confirmou que disputará novamente o Planalto.
A verba é destinada à Secretaria de Comunicação Social (Secom), comandada pelo publicitário Sidônio Palmeira, e cobre campanhas publicitárias, assessoria de imprensa e pesquisas de opinião. Só a conta de publicidade soma R$ 562 milhões, gerida por quatro agências contratadas. Parte do valor foi usada em ações como “Brasil soberano”, que custou R$ 85 milhões, e no programa Gás do Povo, com R$ 30 milhões. A Secom afirma que não houve “alteração substancial” no orçamento e que parte dos recursos segue bloqueada por restrições orçamentárias, embora tenha solicitado crédito extra de R$ 90 milhões.
O contraste é grande com outros ministérios, que enfrentam cortes e dificuldades operacionais, o da Justiça, por exemplo, precisou pedir reforço de caixa para evitar a paralisação da emissão de passaportes. Ainda assim, o governo defende que a comunicação é essencial para divulgar políticas públicas e garantir acesso da população a programas sociais como o Crédito do Trabalhador e o Mais Especialistas.
A disparada nos gastos com publicidade, em pleno ano pré-eleitoral, reacende o debate sobre o uso político da máquina pública. Enquanto a Secom justifica o aumento como “dever legal de informar”, opositores acusam o governo de investir pesado em autopromoção. A última vez que o orçamento da comunicação chegou perto desse nível foi em 2017, sob Michel Temer, com R$ 616 milhões, valor agora superado com folga.
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