
A sanha arrecadatória do governo federal ganhou um novo capítulo com o chamado “CPF dos Imóveis”, que começa a valer em 2026. O sistema, oficialmente batizado de Cadastro Imobiliário Brasileiro (CIB), vai unificar todos os registros de imóveis do país e permitir que a Receita Federal identifique automaticamente quem recebe aluguel sem declarar. A promessa é combater sonegação; na prática, o Estado ganha uma lupa sobre cada patrimônio privado, com multas de até 150% e cobranças retroativas de cinco anos.
A medida faz parte da reforma tributária, que também vai mudar a forma de tributar aluguéis. Quem possuir mais de três imóveis alugados e receber acima de R$ 240 mil por ano passará a pagar novos impostos (IBS e CBS), com alíquotas que podem chegar a 20%. A justificativa oficial é modernizar o sistema; mas, para muitos, é só mais uma forma de aumentar a arrecadação num país que já tem uma das maiores cargas tributárias do mundo.
Enquanto isso, especialistas alertam que a conta pode sobrar para o inquilino. A tributação sobre locações residenciais pode triplicar — o que significa aluguéis até R$ 150 mais caros por mês em contratos de R$ 2 mil. Além disso, o “CPF dos Imóveis” criará um valor de referência nacional, o que deve pressionar prefeituras a reajustar o IPTU, elevando ainda mais o custo da moradia. Ou seja, o cerco fiscal não mira apenas o grande investidor, mas também a classe média que tenta sobreviver com um aluguel ou uma renda extra.
O governo alega que o sistema trará justiça tributária, mas na prática amplia o poder de vigilância do Estado sobre o patrimônio do cidadão comum. Com o CIB e o cruzamento automático de dados bancários, contratos e registros públicos, cada imóvel passará a ser monitorado em tempo real. Uma ferramenta vendida como avanço digital, mas que reforça o velho vício de Brasília: aumentar impostos sob o pretexto de modernizar o país.
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