
A guerra de narrativas após a megaoperação no Complexo do Alemão e na Complexo da Penha expôs mais um “apartheid” entre discurso e realidade. De um lado, o governo federal e alas da esquerda bradam tratar-se de “chacina” e “execução em massa”. Do outro, as periferias – justiça que refunde a lógica política – falam claro: abraçamos a polícia, repudiamos o terror das facções criminosas. Dados da AtlasIntel mostram que quase 9 em cada 10 moradores de favelas do Rio aprovam a operação policial contra o tráfico.
É uma verdade que desmonta o espetáculo de vitimismo armado pela esquerda. Segundo a pesquisa, 87,6% dos moradores das favelas cariocas disseram aprovar a ação da polícia. Apenas 12,1% reprovam. Entre os moradores fora das favelas, 55% aprovam. Esses números entram em choque direto com o discurso de que “a população odiou a operação” ou que “o Estado agiu como criminosa”. Simplesmente, não condizem com quem vive sob o tiroteio diário.
Enquanto isso, o crime organizado ostenta poder, domínio territorial e armamento que rivaliza com forças estatais. A operação envolveu cerca de 2.500 agentes, cumpriu centenas de mandados, neutralizou mais de 130 traficantes — e isso não é “abuso”, é guerra declarada contra quem impõe o medo e humilha o cidadão comum. A esquerda que chama a polícia de vilã esquece de perguntar: quem está com o povo que vive refém das facções?
A manipulação da narrativa não nasce só da ideologia — nasce da desconexão. É fácil para alguns romantizarem o traficante como “vítima do sistema”, quando o sistema que ele domina é justamente aquele que tortura, assalta e mata moradores pobres. A pesquisa da AtlasIntel confirma que são esses moradores que querem a paz, querem ordem, querem que o terror acabe. Não querem homenagens a bandidos — querem segurança para viver.
E o que fazer com essa desconstrução de discurso? Primeiro, admitir: o problema não está no “uso da força”, mas no monopólio da violência que os traficantes exerceram por décadas nas favelas. Segundo, reconhecer que a ação policial massiva, ainda que dura, reflete o anseio da população mais vulnerável — não é “estado assassino”, é estado fazendo o trabalho que há anos deveria ter feito.
A esquerda, ao insistir no rótulo de “chacina”, perde conexão com o público que vive o medo, a extorsão e o silêncio imposto pelo tráfico. Num momento em que 80% das favelas aprovam uma ação contundente, continuar culpando a polícia — e ignorando o cidadão — não só é hipócrita, como é suicídio eleitoral. O recado está dado: quem fala por quem sofre não pode ignorar quem sofre.
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