
Antes de mais nada, é preciso dizer: o governo Lula 3 colhe agora o resultado das próprias decisões equivocadas. Foi a atual gestão federal que autorizou a transferência de líderes de facções — antes isolados em presídios federais de segurança máxima — de volta aos seus estados de origem, como Rio de Janeiro e São Paulo. O resultado? Um fortalecimento sem precedentes do crime organizado.
Desde que o ministro Edson Fachin proibiu operações policiais nos morros do Rio durante a pandemia, o Comando Vermelho (CV) se transformou. Deixou de ser uma facção comum para se tornar um grupo paramilitar moderno, armado e estrategicamente organizado, com influência crescente sobre o tráfico, as comunidades e até sobre instituições.
O estrago foi tanto que as facções alcançaram status de organizações terroristas, com poder de fogo, articulação e finanças que rivalizam com máfias italianas e cartéis latino-americanos. O Estado perdeu o controle, e a consequência foi o cenário de guerra urbana que chocou o país: a megaoperação no Rio de Janeiro, que resultou em mais de 130 mortos — entre eles, policiais e até um delegado.
Pressionado pela opinião pública, pela classe política e pela repercussão internacional, o governo federal tenta agora remendar o caos que ajudou a criar. O Ministério da Justiça anunciou a transferência dos dez principais chefes do Comando Vermelho para presídios federais de segurança máxima, com um esquema de rodízio e dispersão entre unidades em Brasília, Porto Velho, Mossoró, Campo Grande e Catanduvas.
A ideia é “quebrar a cadeia de comando” das facções e evitar que os criminosos voltem a se articular dentro das cadeias, como vinha ocorrendo no sistema prisional fluminense. No entanto, essa medida tardia tem sabor de improviso político — um gesto para conter a crise de imagem de um governo acusado de leniência com o crime.
Na prática, muitos desses líderes nunca deveriam ter deixado o sistema federal. Casos como o de “My Thor”, que passou 15 anos em Catanduvas e voltou ao Rio em 2021, são exemplos claros da fragilidade das decisões judiciais e da falta de coordenação entre Estado e União. Mesmo flagrado pela PF com dez celulares na cela, ele continuou no sistema estadual.
Outro caso emblemático é o de “Naldinho”, homem de confiança de Fernandinho Beira-Mar, que chegou a negociar uma “trégua” durante o G20, mostrando o grau de penetração das facções nas estruturas políticas e sociais. Mesmo com pedidos da PF e do Ministério Público, sua transferência para presídio federal foi negada sob o argumento de “falta de urgência”.
Enquanto isso, o principal líder do CV, Edgar Alves de Andrade, o Doca, segue foragido. Apontado como o cérebro da expansão da facção na Zona Oeste do Rio, há uma recompensa de R$ 100 mil por informações que levem à sua captura. A sensação de impunidade, no entanto, ainda prevalece.
A Senappen (Secretaria Nacional de Política Penitenciária) informou que as transferências dependem de autorização judicial, e que tudo será feito “com o máximo de segurança”. Já o governo do Rio confirmou que os presos estão isolados em Bangu 1, aguardando a liberação da Vara de Execuções Penais.
Mas o fato é inegável: Lula tenta agora consertar o desastre que ajudou a produzir. Ao desmontar políticas de segurança eficazes e afrouxar o cerco às facções, o governo federal deu às organizações criminosas o que mais desejavam — autonomia, poder e território. O Brasil paga o preço da leniência. E o crime, fortalecido, agradece.
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