
Confesso que fiquei espantado. O Senado vai instalar a CPI do Crime Organizado, uma das mais importantes dos últimos anos e nenhum senador do PT assinou o pedido. Nenhum. O partido que comanda o país e vive falando em democracia, justiça social e “defesa dos pobres” simplesmente se calou diante da chance de enfrentar as facções que espalham medo pelo Brasil. Dá pra entender?
A CPI vai investigar a estrutura e o crescimento do crime organizado, milícias e facções como o PCC e o Comando Vermelho. Foi criada após a operação mais letal da história do Rio, com mais de 120 mortos. E justo nesse momento, o governo que deveria liderar o combate à criminalidade prefere o silêncio. Não apresentou nota, nem justificativa. Parece que quanto mais o tema incomoda, mais o PT se afasta. A pergunta que fica é: por quê?
É difícil não pensar em conveniência política. Será se o partido que está no poder tem alianças regionais com grupos que orbitam entre o poder público e as milícias locais? Não seria segredo pra ninguém caso se confirmasse. Investigar o crime organizado a fundo poderia abrir feridas e revelar relações incômodas. E talvez por isso, a tática seja velha conhecida: melhor não cutucar o vespeiro. O problema é que, enquanto o PT se protege, quem morre é o povo nas comunidades dominadas.
O Senado, liderado por Davi Alcolumbre, vai em frente. Alessandro Vieira deve relatar os trabalhos e Fabiano Contarato, do próprio PT, deve tentar ocupar a presidência para conter danos (o partido não quer a CPI, mas quer a presidência da investigação, que país é esse?). Mas o gesto de não assinar o requerimento já diz tudo. É o retrato de um governo que fala em combater a violência, mas evita olhar de frente para o crime que domina o país. O PT pode até se calar, mas o silêncio, nesse caso, fala muito mais alto.
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