
O governo federal chega tarde — muito tarde — ao enfrentamento das facções criminosas no Rio de Janeiro. A criação de um escritório emergencial de combate ao crime organizado, anunciada após a megaoperação que deixou 132 mortos, soa menos como um gesto de estratégia e mais como uma tentativa de apagar o incêndio da própria omissão.
Ninguém esquece que o governo Lula 3 recusou três vezes o envio de blindados ao Rio, deixando as forças estaduais sem apoio logístico em um confronto de guerra. A virada de postura repentina levanta suspeitas: teria sido o impacto político das falas desastrosas do presidente — como quando afirmou que “os traficantes são vítimas dos usuários de drogas” — ou a pressão internacional, após países vizinhos como a Argentina classificarem o PCC e o Comando Vermelho como organizações narcoterroristas?
Durante a coletiva no Palácio Guanabara, o governador Cláudio Castro (PL) demonstrou firmeza ao afirmar que a operação, embora trágica, representa um divisor de águas: “Independente de erros ou acertos, saímos daqui com uma grande oportunidade”. Já o ministro Ricardo Lewandowski, visivelmente cauteloso, tentou imprimir um tom conciliador, explicando que o escritório servirá como um “fórum de decisões rápidas”.
Mas o que exatamente esse escritório fará? Terá poder real de ação ou será apenas mais uma instância burocrática? A oposição teme o segundo cenário — um gesto simbólico para recuperar a imagem de um governo que, até ontem, tratava as facções como vítimas sociais.
Enquanto isso, as ruas do Rio de Janeiro ainda ecoam o som dos helicópteros e dos tiros. Do lado de fora do Palácio Guanabara, manifestantes chamavam o Estado de “assassino” e falavam em “massacre”. Do lado de dentro, autoridades tentavam demonstrar unidade, como se a tragédia fosse apenas um ponto de virada política.
O fato é que o governo federal foi empurrado à mesa do combate, não por convicção, mas pela pressão da realidade — e pelo clamor de um país que já não suporta ver suas comunidades reféns de facções armadas, drones com explosivos e túneis de fuga.
A criação do escritório emergencial pode ser o início de uma nova fase no enfrentamento ao crime — ou apenas uma cortina de fumaça. A diferença estará na vontade política de transformar palavras em ações.
Enquanto o governador Castro busca aliados e cobra resultados, Lula ainda precisa responder a uma pergunta que o Brasil inteiro faz: de que lado está o seu governo?
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