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Brasil OMISSÃO DO ESTADO

Omissão do Palácio do Planalto transforma o Rio em cemitério: 132 mortos e o retrato da falência nacional

A megaoperação que deixou 132 mortos nos complexos da Penha e do Alemão expõe não apenas o poder bélico do Comando Vermelho, mas décadas de omissão política — de Brizola a Lula — que permitiram a consolidação de Estados paralelos nas favelas e o avanço do crime organizado sob complacência federal

29/10/2025 às 13h11 Atualizada em 29/10/2025 às 21h31
Por: Douglas Ferreira
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O Rio de Janeiro virou um cemitério a céu aberto e governo federal não age - Foto: Reprodução
O Rio de Janeiro virou um cemitério a céu aberto e governo federal não age - Foto: Reprodução

A guerra que o Brasil finge não ver: o Rio de Janeiro apodrece sob o silêncio cúmplice do poder

O número é brutal. 132 mortos. Esse é o saldo da operação mais letal da história do Rio de Janeiro — uma cifra que não apenas assombra, mas desnuda a falência completa de um Estado que, há décadas, terceirizou o controle de vastos territórios para o crime organizado. O Comando Vermelho (CV) transformou o Rio em um campo de guerra, e o que o país vê agora não é uma tragédia repentina, mas o resultado previsível de anos de omissão política, frouxidão institucional e cumplicidade ideológica.

Os moradores do Complexo da Penha, no desespero, empilharam 72 corpos em plena praça pública, como quem expõe à luz do dia o fracasso de todos os governos — estaduais e federais — desde a era Leonel Brizola, quando o discurso populista da “não repressão policial” abriu caminho para a consolidação das facções. Desde então, cada novo governador preferiu administrar a barbárie, não enfrentá-la. Uns por covardia, outros por conveniência.

Mas a omissão não é só estadual. O governo federal, sob Luiz Inácio Lula da Silva, tem se mostrado deliberadamente ausente. Mais grave: tem sido condescendente. Em vez de fortalecer a ação policial e proteger a população, Lula optou por um discurso que desmoraliza o enfrentamento ao crime. O presidente já afirmou que “os traficantes são vítimas dos usuários”, invertendo papéis e transformando assassinos em mártires.

E quando o país clama por ação, Lula é taxativo: “Enquanto eu for presidente, não haverá GLO no Rio de Janeiro. Eu não quero o Exército brigando com bandido”. A fala não é apenas covarde — é criminosa em seu efeito. Ao recusar apoio militar, o governo federal abandona os policiais que morrem em serviço e entrega as comunidades à tirania das facções. O resultado está aí: 132 mortos, 81 presos, 90 armas apreendidas, e uma cidade que amanhece coberta de corpos e silêncio.

A operação, que mobilizou 2.500 agentes, revelou o que muitos fingiam ignorar: o poder bélico das facções é hoje comparável ao de forças paramilitares. Pela primeira vez, drones armados com explosivos foram usados para atacar a polícia. O crime se sofisticou. As favelas se fortificaram. E o Estado, acuado por decisões judiciais e discursos progressistas, recuou.

É preciso dizer com todas as letras: a guerra urbana no Rio não é entre polícia e traficantes — é entre o Estado brasileiro e sua própria covardia. A cada incursão, a cada emboscada, a cada corpo, o poder público revela que perdeu o controle não apenas das ruas, mas da narrativa. O policial morto é visto como “agressor”; o traficante abatido, como “vítima social”.

Enquanto isso, o STF restringe operações, a esquerda lamenta a morte de criminosos, e o governo federal se omite em nome de uma “política humanitária” que só humaniza o bandido. O povo fluminense, encurralado entre o tráfico e a omissão, vive o que já é — sem exagero — um conflito armado de baixa intensidade, mas de consequências devastadoras.

O Brasil precisa encarar a verdade: o Rio de Janeiro virou território inimigo. A soberania nacional foi corroída, não por invasores estrangeiros, mas por governantes que confundiram compaixão com conivência. E agora, quando os corpos se acumulam, o que resta é o retrato de um país que perdeu a guerra antes mesmo de admitir que ela começou.

Em meio ao caos e à covardia do crime organizado, é preciso reconhecer a coragem e a determinação do governador Cláudio Castro, que, mesmo isolado pela inércia do governo federal, buscou apoio do Ministério Público e de outras instituições estaduais para enfrentar o narcotráfico que hoje se equipara a grupos terroristas de alta periculosidade.

Castro não recuou diante de facções que, além de dominar territórios, usam a população indefesa como escudo humano, transformando comunidades inteiras em campos de guerra. Sua postura firme é um ato de resistência institucional num país onde o Estado muitas vezes se ajoelha diante do crime. É o grito de quem ainda acredita que a lei deve prevalecer sobre o medo — e que o Rio de Janeiro não pode continuar sendo refém dos senhores do fuzil.

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