
O deputado Nikolas Ferreira (PL/MG) usou o plenário da Câmara nesta terça-feira (28) para fazer um discurso duro, incisivo e sem meias-palavras sobre a megaoperação policial nos complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro — ação que deixou mais de 60 criminosos mortos, 81 presos e quatro policiais mortos em combate. Para o parlamentar, o resultado representa “a maior faxina já realizada na História do Rio”, uma resposta direta ao domínio do Comando Vermelho (CV) e à impunidade que por anos transformou o estado em refém do crime organizado.
O raciocínio de Nikolas é simples e brutalmente lógico: se o Estado está há décadas sitiado por facções que dominam 1.700 favelas cariocas, matam inocentes, traficam armas e impõem toque de recolher, não há outra forma de restabelecer a ordem senão o enfrentamento direto. Para ele, a operação foi um marco — não apenas pelo número de prisões e apreensões, mas por simbolizar o que o Estado deveria ter feito há muito tempo: retomar territórios e enfrentar o crime com a mesma força que ele impõe à sociedade.
Nikolas fez questão de homenagear os quatro policiais mortos, lendo seus nomes em plenário e reconhecendo o sacrifício de quem combate na linha de frente. O gesto contrastou com a postura de parte da esquerda, que — segundo ele — lamentou apenas as mortes dos criminosos, tratando-os como vítimas de uma suposta violência estatal. Para o deputado, essa seletividade é mais que hipocrisia: é conivência ideológica com o crime, disfarçada de discurso humanitário.
Em tom provocativo, Nikolas afirmou que a reação de setores da esquerda ao resultado da operação não é surpresa: “Quando o traficante morre, eles estão de luto. Perderam 60 eleitores”, ironizou, relembrando as cenas de comemoração de criminosos nas penitenciárias após a vitória de Lula (PT) em 2022. A fala ecoou no plenário, dividindo opiniões, mas escancarando uma verdade incômoda: o país se tornou incapaz de celebrar a ação policial sem ser acusado de fascismo.
O deputado também responsabilizou o STF pelo avanço do poder das facções, ao restringir operações policiais em comunidades durante a pandemia e depois mantê-las sob controle rígido. Segundo Nikolas, essas decisões transformaram as favelas em “refúgios oficiais para criminosos”, onde a polícia entra pouco e o tráfico reina absoluto. Para ele, a leniência institucional e a omissão política alimentaram o poder bélico e territorial do CV, culminando nas cenas de guerra que o Brasil assistiu ao vivo.
Ao defender o trabalho das forças de segurança, Nikolas reforçou que a paz só virá quando o Estado tratar o crime organizado como terrorismo — com a mesma rigidez e intolerância aplicadas em outros países. “O Brasil precisa de paz. E, para isso, é necessário acabar com quem tira a nossa tranquilidade”, declarou, aplaudido por parlamentares da base de oposição.
O discurso, ainda que incômodo, traduz o que muitos brasileiros sentem: cansaço diante da impunidade e indignação diante da inversão moral que vitimiza o criminoso e criminaliza o policial. Ao chamar a operação de “faxina”, Nikolas não celebra a morte, mas a coragem de um Estado que, por um dia, ousou reagir. E talvez o que mais incomode seus críticos seja justamente isso — o fato de ele dizer em voz alta o que boa parte do país pensa em silêncio.
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