
A política de Monte Alegre do Piauí acaba de receber um choque de realidade. A Justiça Eleitoral da 35ª Zona, em Gilbués, cassou os mandatos do prefeito Dijalma Gomes Mascarenhas e do vice Clézio Gomes da Silva, eleitos em 2024, por compra de votos e coação de eleitores. A decisão, assinada pelo juiz Antônio Fábio Fonseca de Oliveira, é mais que uma punição: é um lembrete de que autoridade não é sinônimo de impunidade.
A sentença nasceu de uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) que revelou práticas que envergonham a democracia. De acordo com as provas, o prefeito e o vice foram até a localidade Riacho Morto, acompanhados de seguranças armados, para ameaçar moradores que viviam em um prédio público desativado. A mensagem era direta e cruel: quem não votasse neles poderia perder a moradia e o acesso à água comunitária.
Não satisfeitos com a intimidação, os então candidatos teriam prometido entregar escrituras dos imóveis públicos em troca de apoio político. E, após as urnas confirmarem a vitória, um servidor ligado a uma das famílias foi demitido da folha de pagamento da prefeitura, configurando retaliação política.
Na defesa, os cassados alegaram motivações políticas, dizendo que as testemunhas eram parentes e que não havia provas materiais. Mas o juiz destacou que as evidências — testemunhais e documentais — eram firmes o bastante para desmontar a narrativa da inocência.
“O conjunto das provas indica que houve uso da função pública para coagir eleitores mediante ameaça de perda da moradia e da subsistência”, afirmou o magistrado.
O caso expõe uma ferida ainda aberta na política do interior: a confusão entre liderar e dominar. Há quem ainda acredite que voto se garante pela pressão, pelo medo ou pela promessa. Mas liderança de verdade não se impõe — se conquista.
Com a cassação confirmada, o Tribunal Regional Eleitoral do Piauí (TRE-PI) deve marcar novas eleições em Monte Alegre, conforme prevê o artigo 224 do Código Eleitoral. Ainda cabe recurso, mas o recado foi dado: quem tenta manipular a vontade popular enfrenta o peso da lei.
Monte Alegre tem, agora, uma chance de virar a página. Que a próxima eleição seja feita com propostas — não com ameaças. E que o voto, livre e consciente, volte a ser o instrumento mais poderoso de mudança que o cidadão possui.
Confira a sentença do juiz Antônio Fábio Fonseca de Oliveira:


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